A estratégia de resposta inclui monitoramento prolongado. Quando um caso é confirmado, a comunidade permanece sob vigilância por três meses para descartar novos focos antes da declaração oficial de encerramento da ocorrência. Em situações de suspeita, bebês de seis meses a um ano podem receber uma dose extra — chamada de “dose zero” — que não substitui as duas aplicações previstas no calendário regular.
O esquema vacinal do Sistema Único de Saúde prevê imunização em duas etapas: a primeira dose, da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), aos 12 meses de idade; e a segunda, da tetraviral (tríplice viral combinada à vacina contra varicela), aos 15 meses. Em 2025, 92,5% das crianças receberam a primeira aplicação, porém apenas 77,9% completaram o esquema dentro do período recomendado. Todas as pessoas de até 59 anos sem comprovação das duas doses devem atualizar a caderneta.
Para reforçar a cobertura, o Ministério promove campanhas permanentes em áreas de fronteira e em municípios com índices vacinais abaixo da meta. Segundo o PNI, 3.818 suspeitas foram notificadas em 2025; em 2026, até 26 de janeiro, o painel da pasta contabilizava 27 notificações. Cada alerta é tratado como prioridade, mesmo que a maioria seja descartada após exames laboratoriais.
A preocupação com viagens internacionais cresce com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá entre junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá — países que reúnem as maiores quantidades de casos no momento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já veicula mensagens em aeroportos e portos sobre a importância da vacinação antes do embarque. A medida pretende reduzir o risco de brasileiros contraírem o vírus no exterior e reintroduzi-lo no país.
Autoridades de saúde também destacam o fluxo contínuo de turistas estrangeiros para destinos nacionais como litoral, Amazônia, Pantanal e Foz do Iguaçu, além da extensa fronteira terrestre que o Brasil compartilha com dez nações sul-americanas. Esse cenário exige ações constantes de vigilância epidemiológica e comunicação com a população para evitar quedas adicionais na cobertura vacinal.
O diretor do PNI, Eder Gatti, afirma que o país dispõe de insumos e protocolos para responder a eventuais emergências, mas ressalta que a manutenção do status de área livre depende diretamente da adesão da sociedade às campanhas. A pasta reforça que a vacina é segura, eficaz e oferecida gratuitamente em todas as unidades básicas de saúde.
Especialistas lembram que o sarampo é altamente contagioso: um indivíduo infectado pode transmitir o vírus a até 18 pessoas não imunizadas. Sintomas incluem febre alta, manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. Em casos graves, a doença pode causar pneumonia, encefalite e óbito, sobretudo em crianças pequenas e adultos não vacinados.
Com a circulação do vírus em países vizinhos e o incremento do turismo internacional, o Ministério da Saúde reforça a orientação para que viajantes chequem o cartão de vacinação com antecedência. A recomendação vale igualmente para residentes de cidades fronteiriças e para trabalhadores de setores com alto contato com o público, como educação, turismo e transporte.
Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil