Anvisa amplia uso da Gardasil 9 para prevenir cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço ligados ao HPV
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação terapêutica para a vacina Gardasil 9. O imunizante, que já estava autorizado para prevenir diversos problemas de saúde relacionados ao papilomavírus humano (HPV), agora passa a ser recomendado também para a prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço vinculados à infecção pelo vírus.
Com a decisão, a vacina poderá ser aplicada com esse objetivo em crianças, homens e mulheres com idades entre 9 e 45 anos. A orientação do órgão regulador permanece a mesma: a imunização deve ocorrer preferencialmente antes do início da vida sexual. Esse direcionamento se justifica porque o HPV é transmitido principalmente durante relações sexuais, e a eficácia preventiva é maior em indivíduos que ainda não tiveram contato com o vírus.
Até a atualização anunciada pela Anvisa, a Gardasil 9 era indicada para a prevenção de câncer do colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de lesões pré-cancerosas ou displásicas, verrugas genitais e infecções persistentes provocadas pelos diferentes tipos do HPV. A incorporação dos tumores de orofaringe, cabeça e pescoço amplia o escopo de proteção oferecido pela vacina dentro do mesmo esquema de aplicação.
O aval da agência fundamenta-se em estudos que mostram a capacidade do imunizante de evitar a infecção contínua pelos tipos oncogênicos de HPV. Esses subtipos são reconhecidos como os principais responsáveis pelos cânceres envolvidos na nova indicação. Além disso, os dados apresentados ao órgão regulador apontam a geração de uma resposta imunológica robusta contra esses vírus, reforçando o benefício clínico da ampliação de uso.
No processo de avaliação, foi considerado que a Gardasil 9 contém antígenos de nove subtipos do HPV, abrangendo cepas de alto risco oncológico. Conforme o entendimento da Anvisa, a cobertura contra esses subtipos contribui de maneira significativa para reduzir a incidência de tumores que surgem a partir da infecção persistente e não tratada pelo vírus.
A faixa etária de 9 a 45 anos permanece inalterada em relação às indicações anteriores. Nesse intervalo, crianças e adolescentes que ainda não iniciaram a vida sexual formam o grupo prioritário, pois a exposição precoce ao vírus pode comprometer a eficácia da estratégia preventiva. A agência lembra, contudo, que pessoas mais velhas dentro do limite aprovado também podem se beneficiar, especialmente quando não tiveram contato prévio com o patógeno.
Segundo as informações avaliadas, a Gardasil 9 continua a ser aplicada em esquema de duas ou três doses, de acordo com a idade do paciente e a orientação técnica vigente. O cronograma não sofre alterações específicas em razão da nova indicação, o que facilita a incorporação do benefício adicional sem necessidade de ajustes logísticos no calendário vacinal já existente.
Imagem: Radar da Saúde 17
A aprovação dada pela Anvisa passa a valer imediatamente, permitindo que médicos e serviços de saúde incluam a prevenção dos cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço nas recomendações rotineiras de vacinação contra o HPV. Farmacêuticas, clínicas particulares e programas públicos que ofertam o imunizante devem atualizar bulas, materiais informativos e protocolos clínicos para refletir a extensão do uso.
Embora a inclusão de novos alvos de proteção represente um avanço na estratégia de controle das enfermidades causadas pelo HPV, a agência reitera a importância de manter as demais medidas preventivas. Entre elas estão o uso de preservativos durante relações sexuais e a realização de exames regulares, como o teste de Papanicolau no caso do câncer do colo do útero.
Além disso, a Anvisa destaca que a Gardasil 9 não trata infecções já existentes nem substitui métodos de diagnóstico. O objetivo principal continua sendo a prevenção, sobretudo em indivíduos que ainda não tiveram exposição ao vírus. A disponibilização da vacina segue as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no sistema público e das recomendações de cada serviço na rede privada.
Com a atualização, o Brasil passa a alinhar a abrangência da Gardasil 9 às práticas adotadas em outros países que já reconheciam a eficácia do imunizante contra cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. A medida pode contribuir para reduzir a carga dessas doenças, que também apresentam associação significativa com o HPV e afetam tanto homens quanto mulheres.
Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil