Autoridades alertam para avanço do HIV na Europa Oriental e Ásia Central e pedem mais recursos
A resposta ao HIV na Europa Oriental e na Ásia Central precisa ser ampliada com urgência. O alerta foi feito durante reunião em Bona, na Alemanha, que reuniu a diretora-executiva da Fundação Alemã contra o HIV (DAS), Anne von Fallois, e o diretor do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (Unaids) para a região, Eamonn Murphy. Os dois representantes destacaram crescimento de mortes, lacunas de financiamento e riscos adicionais provocados por conflitos armados e migrações.
Mortes em alta desde 2010
Dados acompanhados pelo Unaids mostram que, entre 2010 e 2023, as mortes relacionadas à Aids aumentaram 34% na Europa Oriental e na Ásia Central. A tendência contrasta com a queda verificada em outras partes do mundo e sinaliza estagnação nos esforços de prevenção, diagnóstico e tratamento. Segundo os organizadores do encontro, a situação exige estratégias específicas para conter o avanço do vírus, especialmente em países diretamente afetados por conflitos, como a Ucrânia.
Metade das pessoas não faz tratamento
O relatório discutido em Bona aponta que apenas cerca de 50% das pessoas que vivem com HIV na região estão em terapia antirretroviral. A taxa de supressão viral — 42% — é a mais baixa registrada globalmente, indicando falhas tanto no acesso inicial ao tratamento quanto na continuidade do cuidado. Mais de metade dos novos diagnósticos ocorre em estágio avançado da infecção, quando o risco de transmissão e mortalidade é maior.
Impacto de guerras e deslocamentos
Fatores externos agravam o cenário. Guerra, deslocamento populacional, crise econômica e processos migratórios impõem pressões adicionais aos sistemas de saúde locais. Embora o impacto total ainda esteja em avaliação, autoridades temem que a combinação desses elementos ultrapasse fronteiras nacionais e crie repercussões sanitárias também na União Europeia. O receio é de que a região fique em segundo plano à medida que a atenção internacional se volta a outras crises.
Desafios na prevenção
A cobertura de serviços preventivos continua limitada. A terapia de manutenção com agonistas opioides alcança apenas pequena parcela das pessoas que necessitam do método, crucial para reduzir a transmissão entre usuários de drogas injetáveis. A profilaxia pré-exposição (PrEP) permanece inacessível em diversos contextos, dificultando a contenção de novas infecções. Populações-chave — como homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo, pessoas trans e usuários de drogas — respondem pela maioria dos novos casos, mas enfrentam estigma, discriminação e barreiras legais.
Parcerias com comunidades
Eamonn Murphy ressaltou que serviços liderados por comunidades têm eficácia comprovada para alcançar grupos frequentemente excluídos dos sistemas formais de saúde. Para ele, manter essas iniciativas é fundamental “em tempos difíceis”, quando o risco de retrocesso é maior. O representante do Unaids defendeu investimento sustentável e coordenado, combinado com empenho governamental e participação ativa da sociedade civil.
Financiamento em pauta
Incertezas sobre o volume de recursos disponíveis dominaram o encontro em Bona. Segundo Anne von Fallois, os investimentos necessários para estabilizar a situação são considerados modestos, mas podem gerar impacto significativo. Parceiros enfatizaram que medidas emergenciais não substituem aportes estruturais de longo prazo. Também apelaram por participação mais ativa da União Europeia na mobilização de fundos e na formulação de políticas regionais.
Imagem: Internet
Na avaliação da Fundação Alemã contra o HIV, o monitoramento das curvas de infecção e mortalidade precisa ser associado à garantia de verbas para prevenção, diagnóstico e tratamento. Sem esse comprometimento, os progressos já alcançados correm risco, e o número de mortes pode continuar crescendo.
Iniciativas em curso
A DAS mantém cooperação com o Unaids em projetos que englobam redução de estigma, campanhas de prevenção, apoio social e assistência a grupos vulneráveis. A fundação atua tanto na Alemanha quanto no exterior. Para os responsáveis pelas organizações, ampliar o leque de parceiros — governo, setor privado e sociedade civil — é essencial para cobrir lacunas operacionais e financeiras. O objetivo é impedir que a região retroceda ainda mais nos indicadores e causar efeito positivo além de suas fronteiras.
Com as tendências epidemiológicas em deterioração e recursos incertos, os participantes da reunião concluíram que reforçar a resposta ao HIV na Europa Oriental e na Ásia Central é passo decisivo para conter novas infecções, reduzir mortes e proteger sistemas de saúde já sobrecarregados por crises simultâneas.
Crédito da imagem: Sean Kimmons/Irin e OMS/Blink Media/Nikolay Doych