“Existe o risco de a guerra afetar as rotas de entrada e saída de matérias-primas, sobretudo porque muitos fármacos utilizam derivados do petróleo em sua composição”, declarou o ministro. Ele acrescentou ter discutido o assunto recentemente com autoridades da China e da Índia, países que concentram parcela significativa da produção de insumos farmacêuticos ativos utilizados mundialmente. Qualquer interrupção na chegada do petróleo a esses mercados, observou Padilha, pode provocar encarecimento ou atraso no fornecimento de componentes essenciais para a indústria de medicamentos.
Segundo o titular da Saúde, o governo federal já dispõe de protocolos de monitoramento para antecipar possíveis gargalos. Essas medidas incluem o acompanhamento de estoques estratégicos, a avaliação constante dos prazos de entrega e o diálogo com fornecedores internacionais. “Estamos vigilantes para adotar respostas rápidas caso surjam restrições no fluxo de insumos ou aumentos bruscos de preços”, afirmou.
A preocupação com o setor farmacêutico soma-se aos danos diretos provocados pela guerra sobre a saúde das populações afetadas. Na avaliação de Padilha, os confrontos resultam em mortes de civis, destruição de unidades de atendimento e sobrecarga de sistemas locais, consequências que acabam por repercutir em toda a comunidade internacional. “Toda a guerra faz mal à saúde”, resumiu o ministro, reiterando que o Brasil acompanha tanto os impactos humanitários imediatos quanto as repercussões indiretas para as cadeias de suprimentos.
No campo doméstico, o Ministério da Saúde mantém interlocução com outras áreas do governo, entre elas o Ministério das Relações Exteriores e a Casa Civil, para alinhar cenários hipotéticos e definir eventuais ações emergenciais. De acordo com Padilha, qualquer decisão que envolva alteração de rotas de importação ou liberação de estoques reguladores será tomada coletivamente, conforme a evolução dos fatos e as necessidades identificadas.
Durante a visita ao HUB, o ministro destacou ainda que o mutirão voltado às mulheres do SUS integra a estratégia nacional de redução de filas para exames e procedimentos eletivos. A iniciativa inclui a ampliação de horários de atendimento, a oferta de recursos adicionais a hospitais universitários e a parceria com estados e municípios. Embora não esteja diretamente relacionada à crise no Oriente Médio, a ação reforça, segundo Padilha, a importância de manter o sistema de saúde resiliente diante de possíveis choques externos, como variações abruptas no fornecimento de insumos.
O cenário internacional permanecerá sob observação do governo brasileiro à medida que persistirem as tensões na região. Caso a instabilidade prossiga e afete de forma relevante a logística global, o Ministério da Saúde pretende intensificar o contato com fabricantes nacionais para identificar alternativas de produção local ou substituição de componentes importados. Também estão em avaliação mecanismos de compra coletiva, de modo a diluir custos caso o mercado enfrente elevações prolongadas.
Por ora, a sinalização é de cautela. Embora o país não tenha registrado falta de medicamentos nem aumentos expressivos nos fretes, a dependência de insumos estrangeiros e a alta exposição aos preços internacionais do petróleo exigem vigilância constante. O impacto potencial nas finanças públicas preocupa, já que grande parte dos medicamentos distribuídos pelo SUS é adquirida com recursos federais. “Seguiremos acompanhando cada movimento”, concluiu o ministro, reforçando que a prioridade é garantir o abastecimento regular à população.
Crédito da imagem: Agência Brasil