Brasil confirma 88 casos de Mpox em 2026; maioria se concentra em São Paulo

O Ministério da Saúde registrou 88 casos confirmados de Mpox no país em 2026. Segundo a pasta, não houve óbitos e a maior parte das notificações é considerada de gravidade leve a moderada.

Distribuição dos casos

Do total contabilizado até o momento, 62 infecções foram identificadas no estado de São Paulo. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 15 ocorrências, Rondônia, com 4, Minas Gerais, com 3, Rio Grande do Sul, com 2, Paraná, com 1, e Distrito Federal, também com 1. Em 2025, o país somou 1.079 casos e dois óbitos provocados pela doença.

Apesar dos dados federais, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa ter confirmado 50 episódios desde janeiro. A capital reúne 31 registros. Campinas, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Sorocaba, Várzea Paulista, Araraquara, Osasco, Cotia, Jandira, Serrana, Arujá, Santos, Guarulhos e Pradópolis somam um caso cada. Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes apresentam dois diagnósticos cada. Em 2025, o estado computou 79 ocorrências em janeiro e 47 em fevereiro, totalizando 126 nos dois primeiros meses daquele ano.

O que é Mpox

A Mpox é causada pelo vírus Monkeypox, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. A infecção pode ocorrer a partir de contato pessoal próximo com lesões cutâneas, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas contaminadas. A manifestação clínica principal é uma erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que costuma persistir de duas a quatro semanas.

Outros sintomas frequentes incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dor nas costas, fadiga e inchaço de gânglios linfáticos. As lesões podem surgir no rosto, palmas das mãos, plantas dos pés, região inguinal, genitais ou área anal.

Formas de transmissão

O vírus se propaga por contato direto entre pessoas, seja por gotículas ou aerossóis de curto alcance durante a fala e a respiração, seja por contato pele a pele, incluindo relações sexuais vaginais ou anais, sexo oral, beijos e toques prolongados. Objetos recentemente contaminados com secreções ou material das lesões também podem atuar como fonte de infecção.

O período de incubação – intervalo entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sinais – varia de 3 a 16 dias, podendo alcançar 21 dias. Diante de sintomas suspeitos, o Ministério da Saúde recomenda procurar uma unidade de saúde para coleta de amostra laboratorial, exame que confirma ou descarta o diagnóstico. Entre as hipóteses clínicas que devem ser diferenciadas estão varicela, herpes, sífilis, linfogranuloma venéreo e outras doenças que provocam erupção papular ou vesicular.

Medidas de isolamento

Pessoas com suspeita ou confirmação de Mpox devem iniciar isolamento imediato e permanecer afastadas de atividades coletivas até o fim do período de transmissão. Durante esse intervalo, não se deve compartilhar toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres ou quaisquer objetos de uso pessoal.

Tratamento e prevenção

Não há medicamento específico aprovado para a Mpox. O tratamento concentra-se no alívio dos sintomas, na prevenção de complicações e na redução do risco de sequelas. Casos graves podem demandar internação, uso de antivirais e suporte intensivo.

Brasil confirma 88 casos de Mpox em 2026; maioria se concentra em São Paulo - Radar da Saúde 21

Imagem: Radar da Saúde 21

A principal estratégia de prevenção é evitar contato direto com indivíduos suspeitos ou confirmados. Quando o contato for inevitável, recomenda-se utilizar luvas, máscara, avental e óculos de proteção. A higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel deve ser realizada com frequência, especialmente após tocar em superfícies potencialmente contaminadas.

Também é indicado lavar roupas de cama, vestuário, toalhas e objetos da pessoa doente com água morna e detergente, além de desinfetar superfícies e descartar adequadamente materiais contaminados, como curativos.

Risco de complicações

Na maioria dos pacientes, os sintomas desaparecem espontaneamente em algumas semanas. Entretanto, recém-nascidos, crianças e pessoas com imunossupressão pré-existente estão mais suscetíveis a quadros severos e a óbito. Complicações podem envolver lesões extensas, infecções bacterianas secundárias, encefalite, miocardite, pneumonia e comprometimento ocular.

Estudos apontam taxas de mortalidade que variam de 0,1% a 10%, diferença atribuída a fatores como acesso a serviços de saúde e condições imunológicas dos infectados.

O Ministério da Saúde continua monitorando a evolução dos casos e orienta a população a adotar as medidas de prevenção recomendadas, buscar assistência médica ao primeiro sinal da doença e seguir rigorosamente o isolamento até completa cicatrização das lesões.

Crédito da imagem: REUTERS/Arlette Bashizi

Você está aqui: