Butantan abre inscrições para idosos em novo teste clínico da vacina contra dengue
O Instituto Butantan iniciou nesta terça-feira (13) o recrutamento de 997 voluntários para uma nova etapa de testes da Butantan-D, imunizante contra a dengue já autorizado para uso em parte da população. A fase atual foca em 767 participantes com idade entre 60 e 79 anos, grupo considerado mais vulnerável às complicações da doença. Os ensaios serão conduzidos ao longo de 2024 em quatro centros de pesquisa no Rio Grande do Sul e um no Paraná.
Segundo o desenho do estudo, 690 idosos receberão a vacina experimental e 77 serão alocados em grupo placebo por meio de sorteio. Para controle comparativo, outros 230 adultos de 40 a 59 anos participarão da pesquisa em regime aberto, todos vacinados, sem randomização para placebo. Homens e mulheres podem se inscrever desde que estejam saudáveis ou apresentem comorbidades controladas.
A coleta de voluntários começou no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Na sequência, o recrutamento será aberto no Hospital Moinhos de Vento e no Núcleo de Pesquisa Clínica da PUCRS, também na capital gaúcha; no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas, em Pelotas; e no Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de Curitiba. Os interessados devem preencher questionário disponibilizado pelos centros para triagem inicial.
O objetivo principal desta fase é verificar a segurança da Butantan-D na faixa etária de 60 a 79 anos e comparar a resposta imunológica desse público à obtida anteriormente em adultos mais jovens. A avaliação será feita por meio de exames laboratoriais, que medem a produção de anticorpos específicos contra o vírus da dengue.
De acordo com o cronograma estabelecido pelos pesquisadores, a maioria dos voluntários deverá comparecer a apenas quatro consultas presenciais. A primeira visita inclui a aplicação da dose; as demais ocorrem 22 dias, 42 dias e um ano após a vacinação, quando será coletada amostra de sangue. Um subgrupo de 56 idosos fará visitas adicionais para exames de viremia, etapa necessária para monitorar a circulação do vírus no organismo.
O Paraná e o Rio Grande do Sul foram escolhidos porque apresentam baixa prevalência histórica de dengue, com soroprevalência estimada entre 5% e 20%. Essa característica facilita a avaliação da resposta imunológica dos participantes sem interferências significativas de infecções prévias. Regiões com alta exposição ao vírus, como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Natal, chegaram a ser consideradas, mas foram descartadas para evitar que anticorpos já presentes alterassem os resultados.
A Butantan-D recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 26 de novembro de 2025 para uso em pessoas de 12 a 59 anos. Aplicada em dose única, a vacina foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações. O Ministério da Saúde adquiriu 1,3 milhão de doses, que começarão a ser distribuídas a agentes de saúde e à população de 59 anos, com expansão gradativa até alcançar indivíduos de 15 anos.
Imagem: Radar da Saúde
Parte dessas doses será utilizada em vacinação em massa nas cidades de Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP) a partir de 17 de janeiro. A iniciativa pretende imunizar ao menos 50% dos moradores entre 15 e 59 anos para mensurar o impacto da cobertura na redução de casos e hospitalizações. O acompanhamento dos resultados ocorrerá por vários anos.
Os ensaios clínicos anteriores da Butantan-D foram concluídos em junho de 2024, quando o último participante completou cinco anos de monitoramento. Os dados finais apontaram eficácia geral de 79,6% contra a dengue sintomática e proteção de 89% contra formas graves ou com sinais de alarme. Entre participantes de 12 a 59 anos, a eficácia geral foi de 74,7%, chegando a 91,6% para casos graves.
A dengue é provocada por quatro sorotipos diferentes do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, manchas avermelhadas na pele, coceira, náuseas e mal-estar. A principal medida preventiva continua sendo o combate ao vetor, por meio da eliminação de criadouros de água parada em domicílios e áreas públicas.
Crédito da imagem: Butantan/Divulgação