Casos de chikungunya avançam nas Américas e Opas alerta para vigilância reforçada
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu novo comunicado sobre a expansão da chikungunya em países do continente americano. Segundo a agência, os registros da infecção transmitida pelo Aedes voltaram a crescer em 2026, mantendo a tendência já observada no ano anterior. Bolívia, Brasil e Paraguai concentram, desde 2025, os surtos de maior proporção, situação que exige atenção dos sistemas nacionais de saúde, sobretudo diante da circulação simultânea de outros arbovírus.
Dados consolidados pela Opas indicam que a sobreposição de dengue, zika e chikungunya amplia o risco de complicações clínicas e óbitos, além de pressionar a capacidade de resposta dos serviços de vigilância epidemiológica. A organização solicita que governos nacionais e autoridades locais reforcem três eixos de atuação: monitoramento de casos, manejo clínico adequado e controle de vetores.
O documento ressalta que a transmissão da chikungunya permanece associada a fatores climáticos, à densidade populacional de mosquitos e à mobilidade humana. Em 2025, a Bolívia registrou um dos maiores aumentos proporcionais de ocorrências, seguida por notificações expressivas em estados do Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. No Paraguai, a disseminação do vírus resultou em picos epidêmicos principalmente entre o final do verão e o início do outono.
Com a aproximação da temporada de tempestades tropicais de 2025, que vai de 1.º de junho a 30 de novembro, a Opas projeta um cenário climático propício à intensificação da circulação do Aedes. As previsões apontam de seis a dez furacões no Atlântico, sendo pelo menos três com ventos superiores a 178 km/h. Eventos climáticos dessa magnitude costumam gerar inundações, acúmulo de água parada e deslocamentos populacionais — condições reconhecidas como favoráveis à proliferação de mosquitos transmissores de arboviroses.
A agência destaca que, diante da probabilidade de tempestades mais frequentes e intensas, os países devem adotar planos de contingência para o período chuvoso. Entre as recomendações estão campanhas regulares de eliminação de criadouros, aplicação de inseticidas em áreas estratégicas, expansão de testes laboratoriais para diagnóstico diferencial e capacitação de equipes de saúde no reconhecimento precoce de sintomas graves.
A Opas lembra que a chikungunya costuma apresentar dor articular intensa, febre e erupções cutâneas. Embora a maioria dos pacientes evolua para cura sem sequelas, parte desenvolve artralgia crônica que pode durar meses ou anos. Idosos, crianças e pessoas com comorbidades representam os grupos mais suscetíveis a complicações. Quando associado a dengue ou zika, o quadro clínico tende a se agravar, exigindo suporte hospitalar e monitoração constante.
No Brasil, o Ministério da Saúde monitora a expansão do vírus em regiões anteriormente pouco afetadas. Municípios de altitudes mais elevadas, que historicamente registravam incidência esporádica, passaram a registrar surtos sustentados desde 2025. Autoridades brasileiras ampliaram a distribuição de testes rápidos e aceleraram ações comunitárias de controle vetorial, mas alertam que a adesão da população ao descarte correto de recipientes que acumulam água ainda é considerada insuficiente.
Imagem: Kate berry
Na Bolívia, o avanço da chikungunya ocorreu paralelamente a uma epidemia de dengue, o que dificultou o diagnóstico diferencial nos primeiros atendimentos. Hospitais públicos relataram sobrecarga nos serviços de pronto-atendimento durante o primeiro semestre de 2025. No Paraguai, o Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social intensificou campanhas de conscientização nas áreas urbanas de Assunção e região metropolitana, distribuindo repelentes e promovendo mutirões de limpeza em parceria com organizações comunitárias.
Além do impacto direto na saúde, a Opas avalia que a expansão das arboviroses pode afetar a economia regional. Gastos adicionais com hospitalizações, afastamentos laborais e campanhas emergenciais de controle vetorial representam custos indiretos significativos para governos e famílias. A organização reforça que investimentos em prevenção trazem retorno superior ao de ações reativas realizadas apenas durante os picos epidêmicos.
Para 2026, o cenário segue de incerteza. A continuidade da circulação intensa do Aedes, combinada aos fatores climáticos previstos, sugere a possibilidade de novos surtos de chikungunya no continente. Diante desse quadro, a Opas conclama os países a manter a vigilância ativa, atualizar protocolos clínicos e fortalecer a cooperação transfronteiriça, especialmente nas regiões onde a mobilidade populacional facilita a propagação de arboviroses.
Crédito da imagem: Organização Pan-Americana da Saúde