O médico e neurocientista Miguel Nicolelis declarou que o uso intensivo de plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial (IA) ameaça reduzir a capacidade cognitiva das pessoas, gerando milhões de “zumbis digitais”. O especialista estuda o cérebro humano desde 1989 e defende que a inteligência é uma característica exclusiva de organismos biológicos, impossível de ser reproduzida por máquinas.
Adaptação do cérebro ao ambiente digital
Nicolelis sustenta que o cérebro tem elevada plasticidade e tende a se ajustar ao contexto externo para garantir a sobrevivência. Se a lógica do cotidiano passar a ser totalmente digital, o órgão pode funcionar conforme os parâmetros das máquinas, nivelando por baixo processos de criatividade e raciocínio.
Segundo o neurocientista, não há indícios de que algoritmos venham a “pensar” como humanos. O perigo real, afirma, é que a população passe a pensar como computadores, limitando a complexidade natural do pensamento. Estudos citados pelo pesquisador, incluindo um levantamento recente do MIT, apontam alterações na conectividade cerebral associadas ao uso constante de telas e assistentes baseados em IA.


