Os argumentos apresentados por Robalo encontram respaldo em consensos multilaterais já firmados. Entre eles estão a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, a Plataforma de Ação de Pequim e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que reconhecem o direito de mulheres e meninas ao mais alto padrão de saúde possível. Documentos internacionais de direitos humanos também atribuem aos Estados a responsabilidade de respeitar, proteger e cumprir os direitos sexuais e reprodutivos de toda a população feminina.
O Instituto de Saúde Global e Desenvolvimento, presidido por Robalo, tem buscado parcerias para avançar nessa agenda. Entre os colaboradores estão a própria OMS, o Graduate Institute de Genebra, a Fundação Sanofi, a Organização de Saúde da África Ocidental (Waho) e a Universidade Católica da Guiné-Bissau. A cooperação visa não apenas ampliar a formação de profissionais — incluindo estrangeiros —, mas também estimular intercâmbios que coloquem a voz de especialistas mulheres em posição de influência sobre decisões estratégicas.
Na avaliação da ex-diretora regional da OMS para a África, o protagonismo feminino é essencial para a definição de políticas públicas sensíveis às especificidades de cada contexto. Ela cita o universo lusófono como espaço onde a participação de gestoras ainda precisa crescer para que sociedades inteiras colham benefícios, tais como melhor alocação de recursos, serviços mais inclusivos e respostas de saúde alinhadas a realidades locais.
Outro ponto destacado pela dirigente guineense é a necessidade de enfrentar obstáculos linguísticos que mantêm profissionais fora dos grandes fóruns globais. De acordo com ela, mulheres capacitadas permanecem invisíveis porque a produção de conhecimento e a tomada de decisão ocorrem, majoritariamente, em inglês ou francês. Ao defender maior pluralidade idiomática, Robalo vê oportunidade de ampliar a representatividade de países lusófonos em instâncias responsáveis por orientar políticas sanitárias mundiais.
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Embora reconheça avanços, a médica reforça que sem uma abordagem baseada em gênero será difícil cumprir o objetivo de “saúde para todos”. Segundo ela, incorporar a perspectiva feminina em todas as etapas — do desenho de programas à avaliação de resultados — ajuda a identificar gargalos antes invisíveis, melhora a qualidade dos serviços e garante que o sistema não reproduza desigualdades.
Para a Guiné-Bissau, onde a maioria da população enfrenta limitações de acesso a cuidados básicos, a expansão da cobertura universal depende de investimentos combinados: infraestrutura adaptada, profissionais qualificados e gestão orientada por dados. A presença equilibrada de homens e mulheres em posições estratégicas é vista, pelo Instituto de Saúde Global e Desenvolvimento, como pilar fundamental para que esses esforços se traduzam em benefícios concretos à sociedade.
Ao encerrar sua participação na CSW70, Magda Robalo reafirmou o compromisso de articular ações nacionais e internacionais que elevem a liderança feminina no setor de saúde. Para ela, o sucesso nessa empreitada significará não apenas maior justiça social, mas também a construção de sistemas sanitários mais resilientes e capazes de atender de forma equitativa toda a população.
Crédito da imagem: ONU News