A expansão atinge, de forma crescente, países de baixa e média rendas, inclusive entre famílias de menor nível socioeconômico. Essa mudança contrasta com o cenário observado décadas atrás, quando o problema era associado principalmente a nações de alta renda.
Evolução entre adultos
Entre adultos, as estatísticas também avançam em ritmo acelerado. Em 2022, cerca de 2,5 bilhões de pessoas com 18 anos ou mais estavam com sobrepeso, das quais 890 milhões viviam com obesidade. No total, 43% da população adulta mundial apresentava sobrepeso e 16% já atingia o patamar de obesidade. Comparado a 1990, a prevalência entre adultos mais que dobrou; entre adolescentes, quadruplicou.
A OMS calcula que, no ano de referência, uma em cada oito pessoas enfrentava obesidade. Desde 1975, as taxas praticamente triplicaram entre adultos, resultado de mudanças na oferta alimentar, na urbanização e na redução geral de atividades que exigem maior gasto energético.
Fatores que contribuem para o ganho de peso
A obesidade e o sobrepeso costumam resultar de um desequilíbrio prolongado entre calorias consumidas e gastas. Entretanto, a agência de saúde ressalta que o tema transcende escolhas individuais. Entre os motivos apontados estão:
- Disponibilidade ampla de alimentos ultraprocessados, calóricos e de baixo valor nutricional a preços mais acessíveis que opções saudáveis;
- Infraestrutura urbana que limita a prática de exercícios, com escassez de áreas seguras para caminhadas, esportes e deslocamentos ativos;
- Determinantes psicossociais, como estresse, privação de sono e contextos que favorecem hábitos sedentários;
- Fatores genéticos ou condições médicas específicas, incluindo efeitos colaterais de medicamentos, imobilizações prolongadas e síndromes hereditárias.
Essas variáveis podem atuar isoladamente ou em conjunto, reforçando a necessidade de respostas multifacetadas. A OMS recomenda que governos adotem ambientes regulatórios favoráveis à alimentação saudável, como rotulagem clara, restrições à publicidade direcionada a crianças e incentivos à produção local de alimentos frescos.
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Consequências para a saúde
A obesidade figura entre os principais fatores de risco para doenças não transmissíveis. Estudos relacionam o excesso de gordura corporal a maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral e diversos tipos de câncer. As complicações reduzem a expectativa e a qualidade de vida, além de pressionar sistemas de saúde que já lidam com múltiplas demandas.
Recomendações e perspectivas
Com o lema “8 bilhões de razões para agir”, a campanha deste ano reforça que cada habitante do planeta tem papel na reversão da tendência ascendente. Entre as orientações da OMS estão:
- Implementar políticas fiscais que tornem alimentos saudáveis financeiramente mais atrativos;
- Criar espaços públicos que favoreçam a prática regular de atividade física, como ciclovias, parques e áreas para esportes comunitários;
- Fortalecer a detecção precoce de ganho de peso nos serviços de atenção primária, facilitando intervenções antes que a obesidade se instale;
- Ampliar o acesso a tratamentos baseados em evidências, incluindo acompanhamento nutricional, suporte psicológico e, quando indicado, intervenções farmacológicas ou cirúrgicas.
Especialistas envolvidos na mobilização alertam que nenhuma medida isolada será suficiente. Combater a obesidade demanda combinação de educação alimentar, mudanças estruturais no sistema de produção e distribuição de alimentos, além de políticas de transporte e lazer que estimulem o movimento diário.
Embora os prognósticos apontem para impactos econômicos e sociais expressivos, a OMS defende que intervenções coordenadas podem frear a curva de crescimento e reduzir custos a longo prazo. O Dia Mundial da Obesidade, portanto, funciona como ponto de partida anual para avaliar avanços, identificar lacunas e renovar compromissos na luta contra uma das maiores ameaças contemporâneas à saúde pública global.
Crédito da imagem: OMS