Função dos rins no organismo
Os rins desempenham papel fundamental na manutenção do equilíbrio metabólico. Eles filtram o sangue, eliminam toxinas pela urina, regulam os níveis de eletrólitos — como sódio, potássio e cálcio — e participam da produção de hormônios relacionados ao controle da pressão arterial. Quando a função renal é prejudicada, o organismo perde a capacidade de remover resíduos e de ajustar a composição química interna, o que pode levar a complicações cardiovasculares, ósseas e neurológicas.
Principais fatores de risco
De acordo com Geraldo Freitas, nefrologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), diversos fatores favorecem o surgimento ou a progressão de doenças que acometem o tecido renal. Entre os mais relevantes estão:
- diabetes mellitus;
- hipertensão arterial sistêmica;
- histórico familiar de enfermidade renal;
- obesidade e sedentarismo;
- tabagismo;
- uso crônico ou em doses inadequadas de anti-inflamatórios não esteroidais e outras substâncias nefrotóxicas;
- doenças cardiovasculares preexistentes;
- infecções urinárias de repetição ou obstrução do trato urinário;
- desidratação frequente;
- consumo insuficiente de água.
Medicamentos classificados como nefrotóxicos, sobretudo anti-inflamatórios não hormonais, podem induzir perda progressiva da função filtrante. Quando o uso desses fármacos é imprescindível, a recomendação é manter monitoramento laboratorial periódico para detectar alterações de forma precoce.
Evolução silenciosa e exames de rastreamento
Grande parte das doenças renais não apresenta sintomas iniciais evidentes. Pacientes podem chegar à primeira consulta nefrológica já com percentual significativo de perda funcional. Por esse motivo, a realização de exames de creatinina sérica e de urina — com pesquisa de albuminúria — permite identificar lesões ainda em fases iniciais. Aferição regular da pressão arterial, glicemia de jejum e hemoglobina glicada também é indicada, pois hipertensão e diabetes estão entre as principais causas de DRC.
Sinais que exigem avaliação médica
Apesar da evolução discreta, alguns indícios podem sugerir comprometimento renal e demandam investigação especializada:
- inchaço em pernas, tornozelos ou face;
- urina escura ou com espuma persistente;
- alteração repentina na frequência ou na urgência urinária;
- maior volume de urina durante a noite;
- dor intensa no flanco ou cólicas renais;
- fadiga excessiva;
- perda de apetite acompanhada de náuseas ou vômitos prolongados;
- pressão arterial elevada de difícil controle;
- glicemias persistentemente altas, mesmo com tratamento;
- confusão mental ou falta de ar súbita.
Prevenção e sustentabilidade no cuidado renal
Estratégias preventivas incluem controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, manutenção de peso adequado, prática regular de atividade física, ingestão adequada de água e abandono do tabagismo. A orientação sobre uso racional de medicamentos e a redução da exposição a agentes tóxicos ambientais completam o conjunto de ações recomendadas. Sob a ótica da sustentabilidade, a SBN ressalta que prevenir o adoecimento evita procedimentos de alto consumo de recursos, como hemodiálise e transplante, e diminui o impacto ambiental associado a esses tratamentos.
Com a priorização da DRC pela OMS, espera-se que iniciativas governamentais e privadas direcionem esforços para ampliar a oferta de exames simples na atenção primária, capacitar equipes multiprofissionais e promover campanhas educativas contínuas. O objetivo é identificar lesões renais em estágios iniciais, retardar a progressão da doença e reduzir a necessidade de terapias substitutivas, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e aliviando custos para os sistemas de saúde.
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