Embora afete diversos sistemas, a síndrome não provoca alterações detectáveis em exames laboratoriais ou de imagem. Por isso, o diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na descrição detalhada dos sintomas pelo paciente e na avaliação física realizada pelo profissional de saúde. É essencial excluir outras enfermidades que também geram dor difusa, como artrose ou doenças reumatológicas específicas. Na ausência de testes objetivos, a orientação do Ministério da Saúde reforça a importância do encaminhamento a reumatologistas, quando disponível, ou ao menos ao atendimento primário para investigação inicial.
Além de padronizar o fluxo assistencial, as novas diretrizes ampliam iniciativas aprovadas recentemente pelo Congresso Nacional. Em julho de 2025, a Lei 15.176/2025 classificou a fibromialgia como deficiência, assegurando aos portadores direitos previstos para pessoas com limitações funcionais. Entre os benefícios estão reserva de vagas em concursos públicos e processos seletivos, isenção de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados, possibilidade de aposentadoria por invalidez, auxílio-doença, Benefício de Prestação Continuada (BPC) para cidadãos de baixa renda e pensão por morte em casos de incapacidade para o trabalho.
O plano estruturado divulgado agora pelo Ministério da Saúde detalha a implementação de uma abordagem multiprofissional no SUS. A cartilha prevê capacitação de equipes de atenção primária e especializada, priorizando a atuação conjunta de reumatologistas, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos. O objetivo é oferecer tratamento integral, que inclua intervenções farmacológicas para modular a dor, terapias não medicamentosas e estratégias voltadas à reabilitação funcional.
Entre as recomendações, a prática regular de atividade física recebe destaque. Exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, acompanhados por profissionais qualificados, ajudam a reduzir a percepção de dor e melhorar a qualidade do sono e da disposição diária. Paralelamente, sessões de fisioterapia auxiliam na manutenção da mobilidade articular, enquanto a terapia ocupacional orienta ajustes ergonômicos e adaptações na rotina de trabalho ou doméstica.
Aspectos psicológicos também integram o protocolo oficial. A frequência de depressão e ansiedade em indivíduos com fibromialgia exige acompanhamento contínuo. Nesse contexto, consultas com psicólogos e, quando necessário, psiquiatras passam a ser incorporadas de forma sistemática. O intercâmbio de informações entre as especialidades busca evitar interações medicamentosas e garantir que o tratamento farmacológico para transtornos de humor não interfira nos fármacos utilizados para o controle da dor.
Com a publicação das diretrizes, a expectativa do Ministério da Saúde é reduzir o tempo médio entre o surgimento dos primeiros sintomas e o início da terapia adequada. A padronização de condutas pretende ainda diminuir a variabilidade regional de acesso ao atendimento, assegurando que pacientes de diferentes estados encontrem suporte semelhante. A pasta estima que as ações terão impacto direto na qualidade de vida de milhares de brasileiros que convivem diariamente com a síndrome.
Crédito da imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil