Estados reforçam fiscalização contra bebidas adulteradas com metanol no Carnaval
Com a aproximação do Carnaval de 2026, autoridades de saúde e órgãos de defesa do consumidor intensificam a vigilância sobre a venda de bebidas alcoólicas em todo o país. A mobilização responde ao aumento de registros de intoxicação por metanol associados a destilados falsificados, que resultaram em dezenas de mortes no ano passado e já provocaram novos casos neste ano.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, o Brasil confirmou 76 ocorrências de envenenamento por metanol vinculadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Outras 29 suspeitas seguem em apuração. No mesmo período, foram registradas 25 mortes confirmadas e oito em investigação. Em 2026, até 3 de fevereiro, sete casos já receberam confirmação laboratorial e 13 permanecem sob análise.
São Paulo concentrou o maior número de vítimas. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram 52 casos confirmados e 12 óbitos. As mortes envolvem residentes da capital (quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos), de São Bernardo do Campo (uma mulher de 30 e um homem de 62), de Osasco (dois homens de 23 e 25 e uma mulher de 27), de Jundiaí (homem de 37), de Sorocaba (homem de 26) e de Mauá (homem de 26). Quatro falecimentos continuam sob investigação: um em Guariba (39 anos), um em São José dos Campos (31) e dois em Cajamar (29 e 38).
Para reduzir riscos durante a folia, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) paulista coordena inspeções em bares, restaurantes, pontos de venda fixos e ambulantes. As equipes conferem rótulos, lacres, selos fiscais e notas de procedência, além de recolher amostras para análise. O órgão orienta a população a comprar apenas produtos de fabricantes legalizados e a desconfiar de preços muito abaixo do mercado.
No Nordeste, Pernambuco confirmou oito casos de intoxicação por metanol, com cinco mortes registradas entre outubro e novembro de 2025. A Secretaria Estadual de Saúde recomenda evitar destilados de origem desconhecida, sobretudo misturas vendidas em garrafas pet. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária planeja ultrapassar quinhentas inspeções em bares, camarotes, restaurantes e no comércio ambulante ao longo do período carnavalesco.
A Bahia também mantém alerta elevado. Nove casos foram confirmados, três deles fatais — um em Ribeira do Pombal, um em Cansanção e um em Juazeiro. A Secretaria da Saúde do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou o estoque do antídoto utilizado no tratamento da intoxicação e solicitou que os municípios ampliem as ações de fiscalização sobre a comercialização de destilados.
No Sul, o Paraná informou ter encerrado, em 24 de novembro de 2025, a Sala de Situação criada para monitorar episódios de envenenamento. O estado registrou seis casos, três deles letais. Apesar do fechamento do grupo de crise, a vigilância sanitária permanece ativa e orienta os foliões a confirmar a procedência das bebidas que consomem.
O Mato Grosso, onde seis ocorrências resultaram em quatro mortes entre novembro e dezembro de 2025, intensificou as inspeções mesmo sem confirmações recentes. A Secretaria Estadual de Saúde reforça que sintomas como visão turva, dor abdominal, tontura ou confusão mental após ingestão de álcool exigem procura imediata por atendimento médico.
Imagem: Radar da Saúde 22
No Rio de Janeiro, que não contabiliza casos até o momento, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon utilizam um Laboratório Itinerante do Consumidor para testes em tempo real. O equipamento, que reúne perfis químicos de destilados originais, circula por blocos e pelo Sambódromo analisando amostras de bebidas suspeitas. No último fim de semana, 26 litros de produtos falsificados foram recolhidos.
A ingestão de metanol representa alto risco à saúde. Os primeiros sinais costumam surgir até seis horas após o consumo e incluem dor abdominal intensa, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e queda de pressão. Entre seis e 24 horas, podem ocorrer visão turva, fotofobia, pupilas dilatadas, convulsões e acidose metabólica grave. Casos severos evoluem para cegueira irreversível, insuficiência renal, choque ou morte.
Segundo especialistas, o metanol, diferente do etanol presente nas bebidas legais, é metabolizado em substâncias altamente tóxicas que afetam principalmente o sistema nervoso e a produção de energia celular. A toxicidade é agravada porque os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma ressaca forte, retardando a busca por ajuda. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda iniciar o tratamento tão logo haja suspeita, sem aguardar confirmação laboratorial.
Para prevenir novos incidentes, as secretarias estaduais aconselham: adquirir bebidas apenas de estabelecimentos regularizados, verificar rótulos, selos e lacres, evitar recipientes improvisados ou sem identificação e desconfiar de preços muito baixos. Latas lacradas e garrafas com selo fiscal oferecem maior segurança. Em caso de sinais incomuns após o consumo, a orientação é buscar assistência médica imediata e, se possível, levar a embalagem ou amostra da bebida ingerida.
Crédito da imagem: Governo de São Paulo