Além das repercussões imediatas, a pesquisa relaciona a falta de atenção à menopausa a problemas de saúde mental de longo prazo. O estudo aponta aumento significativo na probabilidade de depressão, doença de Alzheimer e outras condições que afetam relações pessoais e participação social. Para as autoras, a identificação precoce e a oferta de serviços de saúde reprodutiva podem reduzir tais consequências.
O documento também menciona a incidência crescente de menopausa precoce, atribuída a hábitos de vida contemporâneos. Esse fenômeno, somado ao envelhecimento populacional, exige planejamento das redes pública e privada de saúde. “São fases complexas, com oscilações emocionais que podem levar a rupturas pessoais e profissionais. Sem compreender o que ocorre, muitas mulheres se afastam do trabalho, gerando reflexos na Previdência Social”, afirma o texto.
De acordo com estimativas incluídas no estudo, cerca de 29 milhões de brasileiras estão atualmente na fase da menopausa, e 87,9% relatam sintomas. Mesmo assim, apenas 22,4% procuram tratamento. A falta de uma política nacional estruturada é apontada como causa direta da invisibilidade do tema e dos custos associados. Entre os impactos econômicos mensuráveis, o relatório cita dados internacionais que indicam um gasto anual de US$ 26,6 bilhões nos Estados Unidos e de US$ 150 bilhões em escala global, além de redução média de 10% na remuneração das mulheres afetadas.
Segundo o Instituto Esfera, a formulação de um programa nacional depende, primeiro, de um mapeamento abrangente sobre menopausa. A proposta é dimensionar o problema, identificar barreiras de acesso a serviços de saúde e delinear iniciativas de informação, prevenção e tratamento. Para as pesquisadoras, reconhecer a menopausa como etapa legítima do ciclo de vida — e não como doença — possibilita ações que beneficiam a cidadania, a produtividade e a sustentabilidade econômica.
Durante o evento de lançamento do estudo, que também premiou mulheres consideradas exponenciais em diferentes áreas, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, avaliou que há uma atenção crescente à saúde feminina no contexto do envelhecimento populacional. Ela lembrou que, em recente fórum promovido pela pasta, o grupo dedicado à menopausa foi um dos mais participativos, sinalizando demanda por políticas específicas.
Para Clarita Costa Maia, a priorização de medidas públicas deve considerar diversidade regional e social. Em comunidades desassistidas, onde há menor oferta de profissionais de saúde e de informação qualificada, o acesso a consultas, exames e terapias hormonais ou alternativas torna-se limitado. “Quando o poder público não age, o impacto atinge não só a mulher, mas toda a cadeia familiar e produtiva do país”, avalia o relatório.
O documento recomenda ainda campanhas de conscientização nos meios de comunicação, programas de treinamento para profissionais de saúde, inclusão do tema nos protocolos do Sistema Único de Saúde e incentivos a empresas para adaptar ambientes de trabalho. A ideia é reduzir afastamentos, evitar demissões e preservar a capacidade produtiva de mulheres que se encontram, de acordo com o estudo, “em sua melhor fase intelectual”.
Sem intervenção estruturada, conclui o Instituto Esfera, os custos sociais e econômicos tendem a aumentar. O estudo adverte que a menopausa, embora natural, não pode permanecer invisível nas agendas de saúde, trabalho e previdência. A construção de políticas amplas e integradas é apresentada como caminho para assegurar bem-estar, equidade de gênero e desenvolvimento sustentável.
Crédito da imagem: Frame TV Brasil