Realizada a cada quatro anos, a Conferência Nacional de Saúde estabelece diretrizes para o SUS, definindo prioridades de investimento e estratégias de fortalecimento da rede pública. As decisões tomadas no fórum podem resultar em novos dispositivos legais, criação de instâncias permanentes de controle social e definição de bases para políticas de atenção curativa, preventiva, de pesquisa e de incorporação de tecnologias.
Para a presidenta do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernanda Magano, a etapa municipal é decisiva porque aproxima a formulação de políticas públicas da realidade cotidiana dos serviços. Segundo ela, o diálogo direto com a população favorece a identificação de demandas urgentes, orienta a aplicação de recursos e reforça o controle social sobre o orçamento da saúde.
As conferências municipais devem acontecer até 4 de julho deste ano. Cada secretaria municipal de saúde é responsável por constituir uma comissão organizadora, determinar a data da reunião, comunicar o CNS e executar os trabalhos. Concluída essa fase, o segundo semestre de 2026 será dedicado à sistematização das propostas recebidas, ao credenciamento dos delegados eleitos e ao planejamento das etapas estaduais e da conferência distrital.
O Conselho Nacional de Saúde homologou em 11 de março o documento orientador que define quatro eixos temáticos para nortear todos os debates:
1. Democracia, saúde como direito e soberania nacional;
2. Financiamento adequado e suficiente para o SUS, baseado em justiça tributária e sustentabilidade fiscal e social;
3. Desafios para o SUS na agenda de defesa da vida e da saúde, incluindo as emergências climáticas e a justiça socioambiental;
4. Modelo de atenção e gestão, territórios integrados e cuidado integral.
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A adoção de eixos comuns busca facilitar a convergência de propostas e evitar a fragmentação dos debates, sobretudo porque os delegados têm formações diversas. A composição tripartite ‑ gestores públicos, profissionais de saúde e usuários do sistema ‑ pretende assegurar pluralidade e equilíbrio nas decisões.
Paralelamente às conferências oficiais, os Encontros Estaduais de Saúde se estenderão até o fim de abril, totalizando pelo menos 13 agendas confirmadas:
- 18 de março – Bahia (Salvador);
- 23 de março – Rio Grande do Norte;
- 24 de março – Espírito Santo;
- 25 de março – Rio de Janeiro;
- 27 de março – São Paulo;
- 27 de março – Piauí;
- 30 de março – Roraima;
- 31 de março – Alagoas;
- 31 de março – Goiás;
- 10 de abril – Rio Grande do Sul;
- 14 de abril – Ceará;
- 29 de abril – Paraná;
- 30 de abril – Sergipe.
Nesses encontros, especialistas e autoridades discutirão temas como controle social, financiamento do SUS, modelos de atenção à saúde e gestão participativa. A programação inclui mesas redondas, painéis técnicos e atividades culturais, oferecendo subsídios para que os delegados municipais possam alinhar suas propostas aos quatro eixos nacionais.
Depois da consolidação das ideias em nível estadual e distrital, a 18ª Conferência Nacional de Saúde reunirá em Brasília representantes de todas as unidades da federação. O fórum nacional analisará as contribuições recebidas, construirá consensos e aprovará o relatório final, que servirá de referência para o planejamento estratégico do SUS no ciclo 2028-2031.
Crédito da imagem: Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil