Para além da imunização, Portella recomenda o retorno do uso de máscaras em ambientes fechados ou sujeitos a aglomeração, orientação dirigida sobretudo aos integrantes dos grupos mais vulneráveis. A medida é vista como adicional relevante para mitigar a circulação viral enquanto os índices de SRAG permanecem elevados.
A especialista também aconselha que indivíduos com sintomas de gripe ou resfriado façam isolamento domiciliar sempre que possível, como forma de interromper cadeias de transmissão. Quando a permanência em casa não é viável, a utilização de máscara ao sair se torna fundamental para reduzir o risco de contágio de terceiros.
Os dados compilados pela Fiocruz evidenciam que a incidência e a mortalidade por SRAG continuam mais pronunciadas entre crianças de menor idade, cenário fortemente associado ao VSR e ao rinovírus. Entre os idosos, por outro lado, as taxas de óbito permanecem mais altas, tendo a Covid-19 e a Influenza A como principais causas identificadas pelos pesquisadores.
O levantamento ressalta, ainda, que a Covid-19 mantém proporções significativas de casos graves tanto em crianças pequenas quanto em pessoas acima de 60 anos. Já as ocorrências de Influenza A concentram-se majoritariamente em menores de quatro anos e, novamente, em idosos, público que historicamente apresenta maior suscetibilidade a complicações respiratórias.
Com o reconhecimento desse panorama, agentes de saúde em todos os níveis buscam reforçar a adesão às campanhas de vacinação sazonal contra gripe. A ação incorpora o chamado “Dia D” nacional, programado para este sábado, que mobiliza unidades básicas em todo o país a fim de ampliar a cobertura, especialmente em municípios onde a procura pela imunização ainda permanece abaixo do desejado.
Autoridades sanitárias também alertam para a importância da vigilância individual de sintomas respiratórios, enfatizando a busca de atendimento precoce diante de sinais de agravamento, como febre persistente, dificuldade para respirar e queda da saturação de oxigênio. A detecção rápida de casos graves permite, segundo os especialistas, melhor prognóstico e ajuda a evitar sobrecarga dos serviços hospitalares.
Embora o boletim aponte crescimento contínuo das internações, a Fiocruz destaca que as ferramentas de prevenção ‑ vacinação, uso adequado de máscaras e adoção de medidas de isolamento quando necessário ‑ permanecem eficazes para conter a disseminação dos vírus respiratórios. A fundação seguirá monitorando semanalmente os indicadores de SRAG, com atualização regular das estatísticas e recomendações conforme a evolução do quadro epidemiológico.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil