Fiocruz detecta aumento nacional de hospitalizações por Influenza A e outros vírus respiratórios

O mais recente boletim InfoGripe, divulgado nesta sexta-feira (27) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta crescimento generalizado dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o território brasileiro. A elevação, observada na tendência de longo prazo que considera as últimas seis semanas, está relacionada principalmente ao avanço das hospitalizações causadas pelos vírus Influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).

De acordo com a análise, os 26 estados e o Distrito Federal registram sinal de alta na curva de internações por complicações respiratórias. O estudo indica que o rinovírus vem exercendo papel significativo nesse cenário, notadamente entre crianças e adolescentes na faixa etária de 2 a 14 anos. Esse grupo concentra a maior parte do acréscimo recente, embora o VSR também contribua para infecções graves em menores de cinco anos.

A pesquisadora Tatiana Portella, integrante da equipe do InfoGripe, reforça a necessidade de intensificar a vacinação contra influenza, especialmente entre populações consideradas de maior risco. Segundo ela, idosos, pessoas imunocomprometidas e crianças pequenas devem buscar os postos de saúde a fim de reduzir a velocidade de crescimento das internações associadas ao vírus em diversos estados.

Para além da imunização, Portella recomenda o retorno do uso de máscaras em ambientes fechados ou sujeitos a aglomeração, orientação dirigida sobretudo aos integrantes dos grupos mais vulneráveis. A medida é vista como adicional relevante para mitigar a circulação viral enquanto os índices de SRAG permanecem elevados.

A especialista também aconselha que indivíduos com sintomas de gripe ou resfriado façam isolamento domiciliar sempre que possível, como forma de interromper cadeias de transmissão. Quando a permanência em casa não é viável, a utilização de máscara ao sair se torna fundamental para reduzir o risco de contágio de terceiros.

Os dados compilados pela Fiocruz evidenciam que a incidência e a mortalidade por SRAG continuam mais pronunciadas entre crianças de menor idade, cenário fortemente associado ao VSR e ao rinovírus. Entre os idosos, por outro lado, as taxas de óbito permanecem mais altas, tendo a Covid-19 e a Influenza A como principais causas identificadas pelos pesquisadores.

O levantamento ressalta, ainda, que a Covid-19 mantém proporções significativas de casos graves tanto em crianças pequenas quanto em pessoas acima de 60 anos. Já as ocorrências de Influenza A concentram-se majoritariamente em menores de quatro anos e, novamente, em idosos, público que historicamente apresenta maior suscetibilidade a complicações respiratórias.

Fiocruz detecta aumento nacional de hospitalizações por Influenza A e outros vírus respiratórios - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

Com o reconhecimento desse panorama, agentes de saúde em todos os níveis buscam reforçar a adesão às campanhas de vacinação sazonal contra gripe. A ação incorpora o chamado “Dia D” nacional, programado para este sábado, que mobiliza unidades básicas em todo o país a fim de ampliar a cobertura, especialmente em municípios onde a procura pela imunização ainda permanece abaixo do desejado.

Autoridades sanitárias também alertam para a importância da vigilância individual de sintomas respiratórios, enfatizando a busca de atendimento precoce diante de sinais de agravamento, como febre persistente, dificuldade para respirar e queda da saturação de oxigênio. A detecção rápida de casos graves permite, segundo os especialistas, melhor prognóstico e ajuda a evitar sobrecarga dos serviços hospitalares.

Embora o boletim aponte crescimento contínuo das internações, a Fiocruz destaca que as ferramentas de prevenção ‑ vacinação, uso adequado de máscaras e adoção de medidas de isolamento quando necessário ‑ permanecem eficazes para conter a disseminação dos vírus respiratórios. A fundação seguirá monitorando semanalmente os indicadores de SRAG, com atualização regular das estatísticas e recomendações conforme a evolução do quadro epidemiológico.

Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

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