Governo anuncia R$ 1,4 bilhão para ampliação do Instituto Butantan e reforço da produção de vacinas
O governo federal liberou nesta segunda-feira (9) um aporte de R$ 1,4 bilhão para o Instituto Butantan, em São Paulo. Os recursos, incluídos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), serão aplicados na expansão da infraestrutura industrial e no desenvolvimento de vacinas e soros, com ênfase em tecnologias avançadas. O próprio instituto destinará mais R$ 400 milhões às mesmas frentes, elevando o investimento total a R$ 1,8 bilhão.
A cerimônia de anúncio ocorreu na sede do Butantan e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, e do diretor do instituto, Esper Kallás. Na ocasião, foram assinadas as ordens de serviço que autorizam o início imediato das obras.
O plano prevê a construção de novas fábricas, a reforma de unidades existentes e a aquisição de equipamentos de alta tecnologia. Entre as iniciativas confirmadas estão:
- fábrica destinada à vacina tetravalente contra o papilomavírus humano (HPV);
- unidade de produção e desenvolvimento de imunizantes de RNA mensageiro (mRNA), incluindo a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA);
- nova planta para produção do IFA da vacina DTPa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche;
- reforma do prédio de produção de soros, com implantação de áreas de envase e liofilização.
Segundo o Ministério da Saúde, as intervenções têm o objetivo de ampliar a autonomia nacional na fabricação de imunobiológicos, reduzir a dependência de importações e fortalecer a capacidade de resposta a emergências sanitárias. A plataforma de mRNA, apontada como estratégica após a pandemia de covid-19, poderá ser adaptada para diferentes patógenos, viabilizando o desenvolvimento rápido de vacinas diante de novos surtos.
O cronograma preliminar indica a conclusão da fábrica de HPV até 2026. As demais unidades entrarão em operação gradualmente até 2028, após validações técnicas e regulatórias. Além das obras civis, o investimento cobrirá sistemas de automação, utilidades industriais, equipamentos de controle de qualidade e capacitação de pessoal especializado.
No setor de soros, a modernização incluirá linhas de filtração, áreas limpas, câmaras frias e atualização dos procedimentos de boas práticas. A expectativa é ampliar a produção anual desses insumos, fundamentais no tratamento de acidentes com animais peçonhentos e em terapias antitoxinas, produtos que ainda requerem importação para suprir a demanda interna.
Responsável por grande parte dos imunizantes distribuídos no Programa Nacional de Imunizações (PNI), o Butantan produziu, entre 2020 e 2022, a CoronaVac contra a covid-19, experiência que reforçou a capacidade de transferência de tecnologia e escalonamento industrial do complexo. Com as novas plantas, o instituto espera elevar a oferta para cerca de 500 milhões de doses por ano, dependendo da demanda programada pelo Ministério da Saúde.
A agenda incluiu menção à vacina contra a dengue desenvolvida pela instituição. Aprovado em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante de dose única, destinado a pessoas de 12 a 59 anos, deve começar a ser aplicado na rede pública ainda em 2024. De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a distribuição inicial contemplará indivíduos a partir de 59 anos, com expansão gradual a faixas etárias inferiores. A produção contará com o suporte da parceira industrial WuXi, cuja capacidade é estimada em 30 vezes a do Butantan para essa formulação.
Imagem: Radar da Saúde 16
O governo também destacou o combate à desinformação sobre vacinas, apontando a necessidade de recuperar os elevados índices de cobertura vacinal registrados no passado. O financiamento, informou a Presidência, integra a estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, eixo do Novo PAC que busca incentivar a inovação local e reduzir vulnerabilidades do país em relação ao mercado externo.
Do total liberado pela União, a maior parte será aplicada na construção de estruturas físicas e em equipamentos de ponta. O montante oriundo de recursos próprios do Butantan servirá, sobretudo, para modernizar utilidades, ampliar redes de energia e vapor, além de aprimorar sistemas de monitoramento e controle ambiental. Também estão previstas contratações de pesquisadores, técnicos de laboratório e engenheiros de processos, o que deve gerar empregos qualificados e fomentar projetos de pesquisa acadêmica.
Autoridades estaduais ressaltaram que a integração entre os governos federal e paulista é essencial para que as metas de vacinação sejam cumpridas. O diretor Esper Kallás afirmou que o novo ciclo de investimentos posicionará o instituto entre os maiores complexos de inovação tecnológica e industrial em saúde do mundo.
Com a assinatura dos contratos, o Butantan inicia imediatamente a fase de mobilização de equipes de engenharia, licitação de equipamentos e ajustes regulatórios. A cada etapa concluída, o Ministério da Saúde acompanhará a execução física e financeira dos projetos, assegurando que o cronograma seja cumprido e que os resultados se convertam em maior oferta de vacinas e soros para a população brasileira.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert / PR