Cada unidade consiste em um veículo adaptado com cadeira odontológica, sistema de raios X, compressores, armários e outros equipamentos que permitem a realização de atendimentos completos. As equipes viajam até regiões rurais, comunidades quilombolas, áreas ribeirinhas e bairros periféricos, reduzindo o deslocamento dos pacientes e ampliando a cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS).
Exemplo do alcance da estratégia ocorreu em Mâncio Lima, no Acre. Para atender famílias que vivem às margens dos rios, profissionais de saúde locais instalaram uma das unidades sobre uma balsa, possibilitando a navegação até comunidades isoladas. A iniciativa facilitou o acesso de ribeirinhos a procedimentos que, de outra forma, dependeriam de longas viagens até centros urbanos.
Além de ampliar a frota, o governo pretende incorporar tecnologia digital ao serviço. O Ministério da Saúde testa, em Cavalcante (GO), um modelo de fluxo digital para próteses. O método escaneia a arcada dentária do paciente, permite o desenho virtual da peça e gera a impressão em laboratório. Com isso, o usuário retorna para instalar a prótese em menos tempo, melhorando a precisão do encaixe e reduzindo a necessidade de ajustes posteriores.
Para levar o projeto a outras localidades, serão distribuídos 500 kits de fluxo digital a municípios selecionados. A expectativa é que o recurso tecnológico integre gradualmente as UOMs, permitindo também a realização de tratamentos de canal em ambientes móveis, sem obrigar o encaminhamento do paciente a centros de referência.
As unidades odontológicas móveis foram implantadas em 2009, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até 2015, diversas cidades receberam os veículos, mas a iniciativa perdeu investimentos e parte dos consultórios deixou de operar. Com o Novo PAC Saúde, lançado em agosto de 2023, o programa voltou a receber recursos, possibilitando a aquisição dos novos equipamentos e a manutenção da frota existente.
Antes da suspensão, um censo conduzido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte avaliou o impacto das UOMs em 267 municípios que haviam recebido os consultórios até 2017. Em 75% das localidades onde as unidades permaneciam ativas, gestores municipais e cirurgiões-dentistas relataram aumento significativo no acesso da população a cuidados bucais, confirmando a relevância da estratégia para reduzir desigualdades.
Com a expansão programada para 2024, o Ministério da Saúde estima que as 800 unidades móveis reforçarão a capacidade de atendimento do SUS em todas as cinco regiões do país. A meta do Brasil Sorridente é garantir que serviços básicos e especializados de odontologia cheguem a grupos historicamente excluídos da rede pública, contribuindo para a promoção da saúde bucal e para a prevenção de doenças associadas.
Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil