Paralelamente ao isolamento de casos confirmados, a administração do hospital determinou o reforço imediato das rotinas de higienização. A limpeza terminal de superfícies, equipamentos e áreas comuns foi intensificada, assim como a frequência de desinfecção de pontos críticos, a exemplo de maçanetas, leitos e materiais de uso compartilhado. Profissionais responsáveis pelos serviços de limpeza receberam orientações adicionais sobre os protocolos para microrganismos multirresistentes.
Enquanto durar a restrição, qualquer paciente que necessite de vaga em terapia intensiva será encaminhado a leitos disponíveis no Hospital Ouro Verde, também pertencente à rede pública municipal, ou a outras unidades hospitalares por meio da central de regulação da cidade. A Rede Municipal Mário Gatti informou que tanto a central quanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já foram instruídos a não direcionar pacientes críticos para o Mário Gatti até a normalização da situação.
De acordo com nota divulgada pela administração, profissionais das equipes de controle de infecção hospitalar e de vigilância epidemiológica acompanham o cenário de forma permanente. O monitoramento inclui realização de exames de cultura, rastreamento de contatos e avaliação diária das condições clínicas dos pacientes acometidos, além da análise contínua da eficácia das medidas de contenção aplicadas.
A rede municipal não divulgou previsão para a reabertura da unidade intensiva, afirmando que a decisão dependerá da “completa estabilização do cenário assistencial”. Nesse período, seguem válidos todos os protocolos de restrição de fluxo de pessoas, uso de equipamentos de proteção individual adequados e atualização constante das equipes sobre o manejo da bactéria KPC.
A KPC, sigla para Klebsiella pneumoniae carbapenemase, é considerada uma superbactéria por apresentar resistência a diversos antibióticos de amplo espectro. A presença desse agente em ambiente hospitalar exige adoção imediata de barreiras de contenção, pois a infecção pode agravar quadros clínicos, sobretudo em pacientes imunodeprimidos ou submetidos a longos períodos de internação.
Autoridades de saúde do município ressaltam que todas as demais áreas assistenciais do Hospital Mário Gatti continuam operando normalmente. Somente o setor adulto da UTI foi fechado para novos ingressos. Serviços de pronto-atendimento, enfermarias e procedimentos ambulatoriais seguem funcionando, obedecendo às rotinas reforçadas de biossegurança estabelecidas depois da identificação dos casos.
A Secretaria Municipal de Saúde reforçou que mantém canais de comunicação para atualizar a população sobre eventuais mudanças no atendimento. Caso novos leitos de UTI se tornem necessários, a regulação municipal poderá recorrer a hospitais estaduais ou filantrópicos que integram a rede de referência em alta complexidade.
A partir das informações disponibilizadas até o momento, não há registro de óbitos associados à infecção por KPC na unidade. Também não foram relatados novos casos suspeitos fora da área isolada. As equipes técnicas permanecem avaliando a evolução clínica dos pacientes positivos e realizando rastreamento laboratorial para identificar possíveis portadores assintomáticos.
Além do foco principal em conter a superbactéria, o hospital informou que segue promovendo capacitação de seus profissionais sobre práticas de prevenção e controle de infecção. Entre as iniciativas destacadas estão treinamentos sobre higienização das mãos, uso correto de aventais, luvas e máscaras, bem como protocolos para o descarte de resíduos potencialmente contaminados.
As medidas adotadas deverão ser revisadas periodicamente, de acordo com os resultados de culturas e com a situação epidemiológica no interior do hospital. A reabertura da UTI para novos pacientes dependerá da conclusão dessa avaliação e da ausência de novas detecções de KPC nas próximas análises.
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