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Incêndio em bar de Crans-Montana provoca 40 mortes, 115 feridos e repercussão na ONU

Um incêndio de grandes proporções atingiu o bar Le Constellation, em Crans-Montana, no cantão suíço do Valais, na madrugada desta sexta-feira (1h30, horário local). Segundo informações preliminares das autoridades regionais, o fogo causou ao menos 40 mortes e deixou 115 pessoas feridas, a maioria em estado grave. O número de vítimas ainda é considerado provisório, pois as equipes de resgate seguem na busca por desaparecidos e no processo de identificação dos corpos.

A origem do incêndio permanece desconhecida. Técnicos dos serviços de investigação da polícia suíça trabalham nos escombros para determinar como as chamas se espalharam tão rapidamente pelo interior do estabelecimento, que estava lotado no momento do incidente. Peritos avaliam registros de câmeras de segurança, depoimentos de frequentadores que conseguiram sair e a estrutura física do bar, completamente destruído.

Entre as vítimas já identificadas, há uma cidadã portuguesa ferida e outra desaparecida. Parte dos feridos foi encaminhada a hospitais do próprio cantão do Valais e de regiões próximas. Diante da gravidade de alguns casos, pacientes foram transferidos para centros especializados em Milão, Lyon, Paris e Estugarda, que dispõem de unidades de tratamento de queimados de alta complexidade.

O processo de identificação dos corpos deve se estender por vários dias. As autoridades locais explicam que as condições dos restos mortais exigem análises de DNA e cruzamento de dados com listas de desaparecidos fornecidas por familiares e embaixadas. Equipes consulares de diferentes países acompanham o trabalho, prestando apoio às famílias.

A tragédia repercutiu rapidamente entre altos funcionários das Nações Unidas sediadas em Genebra, a pouco mais de 180 quilômetros de Crans-Montana. A diretora-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra, Tatiana Valovaya, declarou estar “profundamente abalada” e manifestou condolências às famílias das vítimas, além de desejar recuperação aos feridos.

No mesmo sentido, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, divulgou nota dizendo-se “profundamente entristecido” pela perda de vidas. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar “chocado e entristecido” com a dimensão do desastre. Já o recém-empossado alto-comissário da ONU para os Refugiados, Barham Salih, e seu antecessor, Filippo Grandi, enviaram mensagens de solidariedade às vítimas, às famílias e ao governo suíço.

O embaixador Jürg Lauber, representante permanente da Suíça junto às Nações Unidas em Genebra e presidente do Conselho de Direitos Humanos, agradeceu publicamente as manifestações de apoio dos dirigentes internacionais. Ele ressaltou que as autoridades federais e cantonais estão mobilizadas para oferecer assistência médica, apoio psicológico e suporte logístico aos afetados.

No local do incêndio, centenas de pessoas — moradores, trabalhadores sazonais e turistas que visitam a estação alpina — reuniram-se diante das ruínas do Le Constellation. Em clima de grande comoção, foram acesas velas e depositados buquês de flores, muitos contendo mensagens manuscritas com nomes de amigos ou parentes entre os mortos, desaparecidos ou gravemente feridos. O ato de homenagem se estendeu ao longo do dia, apesar das baixas temperaturas típicas desta época do ano nos Alpes suíços.

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Imagem: Internet

Equipes de bombeiros e de proteção civil relataram que o combate às chamas levou várias horas. O terreno irregular e a proximidade de construções vizinhas exigiram a instalação de barreiras para evitar que o fogo se propagasse para outros prédios. Testemunhas relataram ter ouvido explosões no interior do bar, hipótese que ainda será investigada para verificar se existiam cilindros de gás ou outros materiais inflamáveis no local.

As autoridades cantonais anunciaram a abertura de um inquérito criminal para apurar responsabilidades. Proprietários do Le Constellation, funcionários que trabalhavam na noite do incidente e sobreviventes já começaram a prestar depoimentos. Paralelamente, engenheiros municipais avaliam danos estruturais em edificações vizinhas e analisam os riscos para o restante da área comercial, que permanece isolada.

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça coordena esforços com as chancelarias de países que possam ter cidadãos entre as vítimas. Linhas telefônicas de emergência e pontos de informação foram instalados em Crans-Montana e em Genebra para atender familiares que buscam confirmação de nomes nas listas de feridos ou desaparecidos.

Embora o balanço oficial ainda possa aumentar, o governo federal suíço classificou o incêndio como um dos piores desastres civis no país nas últimas décadas. As próximas atualizações dependerão da conclusão das buscas, do trabalho de identificação e dos laudos periciais que indicarão as causas exatas da tragédia.

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