Jovem moçambicano simboliza inclusão no Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo

A celebração de 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, coloca em foco histórias como a de Limiha Impelua, 17 anos, estudante da 7ª classe em Maputo, Moçambique. Fã de videogames, música e desenho, ele pratica esportes, auxilia nas tarefas domésticas e investiga tudo sobre seus personagens favoritos das telas. Diagnosticado com transtorno do espectro autista aos oito anos, Limiha representa milhares de crianças e adolescentes que buscam participação plena na escola e na sociedade.

Da exclusão escolar ao amparo especializado

Nove anos atrás, a família de Limiha recebeu a notícia de que ele não poderia mais permanecer na terceira escola pública que frequentava. A instituição alegou incapacidade de atendê-lo após identificar características do espectro autista. A decisão deixou a mãe, Cristabela Impalua, viúva e profissional de saúde, diante de um impasse: sem apoio educacional, o menino corria o risco de ficar à margem do ensino formal.

A reviravolta veio com o ingresso na Associação Nacional para Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão (Cerci). O centro atua como polo de reabilitação e mantém parcerias com iniciativas públicas e privadas para garantir suporte a estudantes com necessidades especiais. Ali, Limiha passou a receber acompanhamento individualizado, terapia da fala e atividades que favoreceram sua autonomia. O atendimento permitiu que ele voltasse ao ambiente escolar e alimentasse objetivos semelhantes aos de outros adolescentes.

Projetos pessoais e visão de futuro

Inspirado por heróis da ficção, o jovem alimenta planos de liderança voltados à proteção de meninas e mulheres no mundo inteiro, com atenção especial para África, Brasil e Estados Unidos. Para realizar o projeto, Limiha imagina investir em grandes estúdios de entretenimento, como Paramount, Universal, Warner Bros. Discovery e The Walt Disney Company. Ele sonha em conectar séries e filmes preferidos a iniciativas voltadas ao empoderamento feminino.

No cotidiano, o estudante concilia aulas regulares, judô, educação física e longas sessões de dança ao som das músicas que mais aprecia. Segundo a mãe, a rotina inclui ainda rígida disciplina com higiene pessoal e defesa constante de regras dentro de casa. A hiperatividade, antes motivo de preocupação, foi canalizada para atividades estruturadas que reforçam autoconfiança.

Caminho até o diagnóstico

Entre 18 meses e oito anos, crises de choro sem explicação e atraso na fala motivaram repetidas idas a serviços de saúde, sempre com a garantia de que “estava tudo bem”. O diagnóstico formal só foi confirmado depois de sessões de terapia da fala apontarem características típicas do espectro. A partir daí, a escrita tornou-se ferramenta de expressão e facilitou a comunicação com colegas e professores.

Antes desse marco, Limiha enfrentava episódios de fuga de casa e dificuldade para articular frases. A mãe relata incontáveis viagens canceladas porque companhias aéreas temiam que o menino se agitasse a bordo. Hoje, ela incentiva outras famílias a não esconderem os filhos e a buscarem ajuda especializada. “Tirar as crianças de casa é fundamental”, afirma, destacando que o apoio comunitário existe e pode transformar realidades.

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Imagem: Internet

Mensagem das Nações Unidas

Instituído há 19 anos pela Assembleia Geral, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo reforça o direito das pessoas autistas de serem protagonistas de suas próprias vidas. Em comunicado para 2024, o secretário-geral António Guterres convocou governos, setor privado e sociedade civil a promover inclusão efetiva, com oportunidades de educação, emprego e participação social em condições de igualdade.

A Organização das Nações Unidas enfatiza que a conscientização precisa traduzir-se em ferramentas práticas capazes de elevar a qualidade de vida de quem vive no espectro. A entidade lembra que o transtorno descreve um conjunto de condições que influenciam comunicação, interação social e interesses específicos, exigindo abordagens adaptadas para cada pessoa.

Próximos passos e tema global

Para o ciclo que se estende até 2026, a ONU adota o lema “Autismo e Humanidade: Toda Vida Tem Valor”. A campanha pretende ampliar o debate público, combater estigmas e consolidar políticas que assegurem acesso a diagnóstico precoce, atendimento especializado e inclusão em larga escala.

A trajetória de Limiha Impelua, do isolamento inicial ao ambiente de aprendizagem acolhedor, exemplifica os resultados possíveis quando famílias, associações e poder público atuam em conjunto. No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, sua história ecoa o princípio de que diferenças neurológicas não anulam talentos nem impedem sonhos — e reforça a necessidade de remover barreiras para que todos exerçam plenamente seus direitos.

Crédito da imagem: ONU News

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