Lula recebe alta após cirurgia de catarata no olho esquerdo; saiba como é o procedimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido na manhã desta sexta-feira (30) a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo e deixou o hospital no mesmo dia. A intervenção, realizada com anestesia local e sem necessidade de internação, conclui a correção ocular iniciada em outubro, quando o mandatário passou pelo mesmo procedimento no olho direito.

A catarata é caracterizada pela opacidade progressiva do cristalino, a lente natural do olho. À medida que envelhece, esse tecido perde transparência, dificultando a passagem da luz e comprometendo a visão. A correção consiste em retirar o cristalino alterado e implantar uma lente intraocular artificial. A operação costuma durar poucos minutos, é considerada indolor e permite ao paciente voltar para casa logo após a recuperação inicial na unidade cirúrgica.

Cuidados pós-operatórios

Após a alta, especialistas recomendam repouso relativo nos primeiros dias. Orienta-se evitar esforço físico intenso, não coçar ou pressionar as pálpebras e não carregar peso. Colírios antibióticos e anti-inflamatórios são prescritos para reduzir o risco de infecção e controlar a inflamação. A retomada plena das atividades varia conforme a evolução individual, mas costuma ocorrer em poucas semanas.

Sinais de alerta

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), os sintomas mais comuns da catarata incluem visão turva ou embaçada, sensação de véu diante dos olhos, maior sensibilidade à luz, alterações na percepção de cores — que podem parecer desbotadas ou amareladas — e dificuldade para enxergar em ambientes escuros. Muitos pacientes relatam halos ao redor de fontes luminosas, visão dupla em um único olho e necessidade frequente de trocar a graduação dos óculos. Essas manifestações tendem a se intensificar gradualmente, levando à indicação cirúrgica.

Planejamento da cirurgia

O CBO recomenda operar um olho de cada vez, com intervalo de algumas semanas, estratégia que permite avaliar a resposta do organismo, confirmar a adequação da lente implantada e reduzir eventuais complicações. “Todas as pessoas, se viverem o suficiente, precisarão tratar a catarata em ambos os olhos”, afirma a entidade. Antes da operação, o paciente passa por exames que analisam a saúde ocular e sistêmica. Diabetes descontrolado, doenças de retina e outras condições podem adiar ou contraindicar o procedimento.

Riscos e eventuais complicações

Embora considerada segura, a cirurgia de catarata envolve riscos inerentes a qualquer ato cirúrgico intraocular. Entre as complicações possíveis estão infecções, inflamação persistente e descolamento de retina. Equipamento adequado, técnica correta e acompanhamento pós-operatório são considerados essenciais para minimizar esses eventos adversos.

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Imagem: Radar da Saúde 21

Panorama no Sistema Único de Saúde

A operação de catarata é o procedimento oftalmológico eletivo mais realizado no Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Observatório da Saúde Ocular, mantido pelo CBO, indicam que entre janeiro de 2015 e novembro de 2025 foram concretizadas 7,8 milhões de cirurgias na rede pública, expansão de 120% em uma década. Em 2015, registraram-se 470.246 intervenções; em 2025, até novembro, o número chegou a 1.034.714.

Em relação ao perfil etário, informações consolidadas para 2024 mostram que 52% dos atendimentos ocorreram em pessoas entre 40 e 69 anos, enquanto 46% contemplaram indivíduos com 70 anos ou mais. O aumento da expectativa de vida e a ampliação do acesso aos serviços especializados explicam, segundo o CBO, o crescimento contínuo da demanda.

Retorno à agenda

Após concluir a segunda cirurgia, Lula deve retomar as atividades oficiais na próxima segunda-feira (3). A agenda dependerá da evolução clínica, mas integrantes da equipe médica esperam recuperação semelhante à observada na primeira intervenção, quando o presidente voltou às funções em poucos dias.

Crédito da imagem: Pref. de Três Barras SC / Divulgação

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