Ao receber a medalha, a pesquisadora lembrou que, dois dias antes, completara seis anos da declaração de pandemia feita pela Organização Mundial da Saúde, em 11 de março de 2020. Segundo ela, naquela data gravou um vídeo antecipando o impacto que a disseminação do novo coronavírus poderia causar no Brasil e reiterou que, infelizmente, as previsões se confirmaram. A pneumologista comentou ainda que, além de divulgar orientações, foi necessário enfrentar discursos negacionistas que circularam durante o período crítico da crise sanitária.
Na avaliação de Dalcolmo, o combate à desinformação exigiu esforço adicional: “Deu muito mais trabalho desconstruir a retórica nociva ao povo brasileiro do que informar sobre os progressos alcançados”, declarou durante a solenidade. Ela acrescentou que permanecerá dedicada ao cuidado das pessoas e à defesa da ciência.
A ex-ministra Nísia Trindade ressaltou que a atuação da colega não se restringiu ao período de emergência. De acordo com Trindade, Dalcolmo continua colaborando com o Ministério da Saúde em iniciativas para ampliar a cobertura vacinal e restaurar o reconhecimento internacional do Brasil nessa área. A participação da pneumologista inclui apoio técnico e orientação em campanhas públicas, com foco especial na recuperação de taxas de imunização infantil e na atualização de calendários de vacinação de adultos.
A medalha de mérito Oswaldo Cruz foi criada em 1970 para homenagear personalidades que se destacam no campo da saúde pública. A premiação leva o nome do médico e sanitarista que, no início do século XX, liderou ações de combate a epidemias urbanas e contribuiu para a estruturação de políticas de saúde no país. A condecoração é dividida em graus ouro, prata e bronze, definidos de acordo com a relevância dos serviços prestados. Nesta edição, o governo federal contemplou profissionais de diversas áreas, incluindo pesquisa, gestão e atenção direta à população.
Margareth Dalcolmo é médica formada pela Universidade Federal do Espírito Santo, com residência em pneumologia no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ingressou na Fiocruz em 1989 e, desde então, coordenou projetos de pesquisa sobre tuberculose, doenças respiratórias ocupacionais e, mais recentemente, covid-19. Também atua como professora convidada em cursos de pós-graduação e participa de grupos de assessoria técnica do Ministério da Saúde.
Além das atividades científicas e acadêmicas, a pesquisadora integra conselhos de organizações internacionais ligadas ao controle de doenças infecciosas. Durante a pandemia, publicou artigos em revistas especializadas, participou de estudos sobre terapias antivirais e colaborou na elaboração de protocolos clínicos adotados por hospitais públicos.
Com a medalha Oswaldo Cruz, Dalcolmo se junta a outros profissionais reconhecidos por trajetórias de impacto na saúde coletiva brasileira. A honraria marca o reconhecimento institucional da contribuição que a pneumologista ofereceu ao país, tanto na linha de frente do combate à covid-19 quanto na promoção de políticas de vacinação e de educação científica continuada.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil