Em comparação com a edição anterior da PeNSE, realizada em 2019, a cobertura vacinal entre estudantes caiu oito pontos percentuais. A retração foi mais intensa entre as meninas: elas passaram de 76,1% para 59,5%, redução de 16,6 pontos. Entre os meninos, a proporção caiu para 50,3%.
Quando questionados sobre o motivo da não vacinação, metade dos estudantes afirmou desconhecer a necessidade da vacina. Outros fatores apareceram em menor escala: 7,3% responsabilizaram a recusa de pais ou responsáveis, 7,2% disseram não saber a finalidade do imunizante e 7% apontaram dificuldade de acesso ao local de vacinação.
As respostas variam de acordo com o tipo de escola frequentada. Entre alunos da rede pública, 11% não se vacinaram, ante 6,9% na rede privada. Entretanto, a resistência familiar foi maior no setor privado, mencionada por 15,8% dos entrevistados, enquanto na rede pública esse índice ficou em 6,3%.
Especialistas em imunização observam que a desinformação permanece como principal obstáculo. Para a diretoria da Sociedade Brasileira de Imunizações, a oferta de campanhas dentro das escolas ajuda a superar barreiras de acesso, a esclarecer dúvidas dos estudantes e a envolver os pais no processo, reduzindo a hesitação vacinal.
Experiências locais ilustram esse potencial. A jornalista Joana Darc Souza, mãe de três meninas matriculadas na rede municipal do Rio de Janeiro, relata que a escola costuma convocar os alunos para atualizar o esquema vacinal. As filhas de 9 e 12 anos já receberam a dose contra o HPV, enquanto a mais nova, de 6 anos, ainda não está na faixa etária indicada. Segundo a mãe, o acompanhamento regular do pediatra facilita o controle da caderneta de vacinação da família.
Dados preliminares do Ministério da Saúde referentes a 2025 sugerem melhora no cenário: a cobertura chegou a 86% entre meninas e 74,4% entre meninos, já considerando o regime de dose única introduzido em 2024. Mesmo assim, a pasta mantém estratégias adicionais para recuperar quem perdeu o prazo recomendado.
Lançada em 2025, a campanha de “resgate vacinal” pretende imunizar adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na infância. Até o momento, 217 mil jovens foram atendidos. A iniciativa segue até junho de 2026 e inclui ações dentro das escolas, além da oferta contínua do imunizante em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para verificar a situação vacinal, quem não possui comprovante em papel pode consultar o aplicativo Meu SUS Digital, onde estão registrados os imunizantes aplicados. A orientação das autoridades sanitárias é completar o esquema o quanto antes, pois a eficácia é maior antes da exposição ao vírus. A ampla disponibilidade da vacina, aliada às evidências de redução de tumores associados ao HPV, reforça o papel crucial da adesão na prevenção de diferentes tipos de câncer na população jovem.
Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil