Ministério da Saúde alerta para necessidade de doação de sangue antes do Carnaval
Com a aproximação do Carnaval de 2026, o Ministério da Saúde intensificou a mobilização para ampliar o número de doações voluntárias de sangue em todo o país. O órgão lembra que, historicamente, o período de festas provoca queda nos estoques dos hemocentros, cenário que eleva o risco de desabastecimento para atendimentos de urgência, cirurgias de grande porte e tratamentos que dependem de transfusões regulares.
Segundo o ministério, o sangue coletado é empregado em diferentes situações clínicas, que vão desde hemorragias decorrentes de acidentes até procedimentos de alta complexidade e terapias voltadas a doenças crônicas. Além das transfusões, a matéria-prima sanguínea é fundamental para a produção de medicamentos derivados do plasma, utilizados em protocolos terapêuticos indispensáveis a diversos pacientes.
Para fomentar o comparecimento aos postos de coleta antes do início do feriado, a pasta reforça os critérios básicos que definem quem está apto a doar. Podem se candidatar pessoas entre 16 e 69 anos, com a ressalva de que menores de idade devem apresentar autorização formal do responsável legal. Candidatos na faixa de 60 a 69 anos somente podem realizar a doação se já tiverem doado antes de completar 60 anos. Todos precisam pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em boas condições de saúde no dia do procedimento.
Outros requisitos incluem a apresentação de documento oficial de identidade com foto. São aceitos Registro Geral, carteira de motorista, passaporte, carteira de trabalho, certificado de reservista, Registro Nacional de Estrangeiro ou carteiras profissionais emitidas por conselhos de classe, além de versões digitais equivalentes. Também é preciso ter dormido pelo menos seis horas nas 24 horas anteriores e estar alimentado, evitando refeições ricas em gordura nas três horas que antecedem a coleta. Caso o voluntário tenha feito refeição completa, recomenda-se aguardar duas horas antes de se dirigir ao hemocentro.
Os interessados devem procurar o hemocentro ou a unidade de coleta mais próxima para verificar detalhes operacionais, como horário de funcionamento e necessidade de agendamento. No ato do cadastro, profissionais de saúde aplicam questionário sobre hábitos, histórico médico e uso de medicamentos, além de realizarem triagem clínica e aferição de sinais vitais. Essas etapas buscam garantir a segurança tanto do doador quanto do receptor.
Números da coleta nacional
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que, em 2024, foram registradas 3,31 milhões de doações no Brasil. No ano seguinte, entre janeiro e outubro de 2025, o total preliminar alcançou 2,71 milhões. Para referência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que 3% da população de cada país atue como doadora regular, patamar que, se atingido, conferiria margem de segurança aos bancos de sangue nacionais mesmo em fases de maior demanda.
A pasta não divulgou a estimativa de cobertura em relação ao universo populacional, mas reforça que quanto maior o índice de doadores fidelizados, menores os impactos de sazonalidade. Feriados prolongados, férias escolares e períodos de chuvas intensas costumam registrar redução significativa de comparecimento, justamente quando aumenta a incidência de acidentes nas estradas e de eventos públicos que podem gerar emergências médicas.
Processo de doação
Nos hemocentros, a coleta dura poucos minutos e ocorre em ambiente controlado. Após a retirada do volume padrão de aproximadamente 450 mililitros de sangue, o voluntário permanece em observação para hidratação e alimentação leve. Em geral, o corpo repõe o plasma em até 24 horas, enquanto os glóbulos vermelhos são restabelecidos em cerca de 60 dias. Por essa razão, homens podem doar a cada dois meses, até quatro vezes ao ano, e mulheres a cada três meses, totalizando três doações anuais, conforme diretrizes técnicas brasileiras.
Imagem: Radar da Saúde 1
O Ministério da Saúde lembra que pessoas com sintomas gripais, infecções ativas ou registro recente de procedimentos invasivos devem aguardar o intervalo determinado pelos profissionais de triagem antes de doar. O mesmo vale para quem recebeu vacinas, passou por tatuagens ou viajou a regiões com doenças endêmicas. Todos esses aspectos são analisados individualmente, com base em protocolos atualizados, para garantir que o sangue coletado esteja dentro dos parâmetros de qualidade exigidos.
Impacto direto na assistência
Especialistas do Sistema Único de Saúde (SUS) alertam que a manutenção de estoques adequados possibilita que hospitais respondam a emergências sem necessidade de remanejamentos ou adiamentos de cirurgias eletivas. Em unidades que recebem pacientes oncológicos, hemofílicos ou portadores de anemia falciforme, por exemplo, a oferta constante de hemocomponentes evita interrupções terapêuticas capazes de comprometer tratamentos prolongados.
A proximidade do Carnaval intensifica o apelo por novas bolsas, mas o ministério enfatiza que a doação deve ser encarada como ato contínuo, e não apenas emergencial. A fidelização de doadores regulares, que retornam periodicamente aos postos, promove estabilidade e reduz a pressão sobre campanhas pontuais.
Para se tornar doador frequente, o cidadão pode cadastrar-se no hemocentro de referência de seu estado e agendar futuras coletas de acordo com os prazos legais. As unidades disponibilizam canais telefônicos, aplicativos e plataformas on-line para esclarecimento de dúvidas e marcação de horários, estratégia que diminui filas e otimiza o fluxo no dia da doação.
Com a mobilização reforçada, o Ministério da Saúde espera elevar a taxa de comparecimento nas semanas que antecedem o Carnaval, garantindo reservas suficientes para eventuais emergências durante o feriado e para a rotina hospitalar subsequente.
Crédito da imagem: Davidyson Damasceno/IGESDF