Ministério da Saúde desmente boatos e reforça segurança da vacina contra a gripe

O Ministério da Saúde voltou a alertar, nesta quarta-feira (1º), para a circulação de mensagens falsas nas redes sociais que relacionam a vacina contra a gripe ao suposto aumento de risco de contrair a própria doença. Segundo a pasta, não há embasamento científico para a afirmação, e o imunizante disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta eficácia comprovada na redução de hospitalizações e óbitos, sobretudo entre crianças pequenas e pessoas com 60 anos ou mais.

Produzida pelo Instituto Butantan, a dose oferecida gratuitamente é a Influenza trivalente. O produto é recomendado pelo Ministério da Saúde, segue orientações internacionais e possui pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). As agências reguladoras de referência mundial, como a Food and Drug Administration (FDA), também indicam o uso desse tipo de vacina.

Composição não provoca doença

A pasta reforça que o imunizante contém vírus inativados, fragmentados e purificados, incapazes de causar infecção. Portanto, não procede a alegação de que a aplicação poderia desencadear gripe ou intensificar sintomas. A falsa percepção de ineficácia, explica o ministério, decorre do aumento da circulação de outros vírus respiratórios no outono e no inverno, período em que também se registra maior atividade do influenza.

Nesse contexto, pessoas vacinadas podem ser expostas a parainfluenza, covid-19, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus ou outros agentes, desenvolvendo quadros com sintomas semelhantes aos da gripe. Ainda assim, dados epidemiológicos demonstram que a imunização diminui significativamente o risco de evolução para formas graves, reduz internações e contribui para a queda da mortalidade por complicações respiratórias.

Campanha nacional em curso

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza teve início no sábado (28) e prossegue até 30 de maio nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Entre os grupos prioritários estão:

  • idosos;
  • crianças de seis meses a menores de seis anos;
  • gestantes e puérperas;
  • trabalhadores da saúde;
  • professores;
  • pessoas com comorbidades ou deficiência permanente;
  • forças de segurança e salvamento;
  • caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo, entre outros públicos considerados mais vulneráveis.

Até o momento, mais de 2,3 milhões de doses foram distribuídas em todo o país. O ministério ressalta que a vacinação deve ocorrer anualmente porque a composição da vacina é atualizada conforme a predominância das cepas a cada estação, seguindo as recomendações da OMS.

Monitoramento do vírus H3N2

O governo federal também informou o reforço da vigilância sobre a Influenza A (H3N2), com atenção especial para o subclado K, registrado com frequência recente em Estados Unidos e Canadá. No Brasil, foram confirmados apenas quatro casos desse subclado, identificados por laboratórios de referência nacional, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Adolfo Lutz.

Ministério da Saúde desmente boatos e reforça segurança da vacina contra a gripe - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

A estratégia de monitoramento inclui acompanhamento de casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG), diagnóstico laboratorial precoce, investigação de eventos incomuns e incentivo ao acesso oportuno a antivirais e à vacina. O objetivo é detectar rapidamente alterações no padrão de circulação viral, limitar transmissões e preservar a capacidade de resposta do sistema de saúde.

Convivendo com a desinformação

O Ministério da Saúde orienta a população a consultar canais oficiais antes de compartilhar mensagens sobre vacinas. Informações incorretas podem comprometer a adesão à imunização e, consequentemente, a proteção coletiva. De acordo com a pasta, a vacina contra a gripe salva vidas ao reduzir a carga de doença, aliviar unidades hospitalares e evitar mortes que seriam evitáveis por meio de prevenção simples e segura.

Ao reiterar a inexistência de vínculo entre a vacina e o aumento de casos de gripe, o órgão solicita que usuários de redes sociais verifiquem dados em sites institucionais, como os do próprio ministério e da OMS. A recomendação vale para qualquer conteúdo que envolva saúde pública, especialmente em períodos de campanhas de vacinação.

Com a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios e a chegada das estações mais frias, a pasta destaca que a imunização continua sendo a forma mais eficaz de proteger indivíduos de maior risco, evitar complicações clínicas e reduzir a necessidade de internações.

Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Você está aqui: