Até o momento, o ministério não divulgou indícios de novos pacientes relacionados ao episódio do Rio de Janeiro. A pasta ressalta, entretanto, que o monitoramento permanecerá ativo pelos próximos dias, período considerado crítico para a identificação de sinais iniciais em contatos indiretos.
O primeiro caso de sarampo em 2026 foi confirmado em março, na capital paulista. Na ocasião, uma criança de seis meses, moradora da zona norte de São Paulo, apresentou sintomas após retornar de viagem recente a La Paz, na Bolívia, país que enfrenta surto ativo da doença. O registro foi classificado como importado.
Para conter a transmissão em São Paulo, equipes de saúde realizaram bloqueio vacinal no entorno da residência da criança. De acordo com o ministério, a região já havia aplicado mais de 600 doses contra o sarampo entre janeiro e fevereiro, ação que contribuiu para limitar a propagação do vírus.
Apesar dos episódios no Rio de Janeiro e em São Paulo, o governo federal informa que o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. O reconhecimento permanece válido porque, até o momento, não há evidência de cadeia de transmissão sustentada por mais de 12 meses no território nacional.
O país, contudo, perdeu a certificação regional de eliminação concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A revogação decorreu de surtos em outras nações das Américas, como Estados Unidos, Canadá e México, o que elevou o risco de reintrodução do vírus em áreas com cobertura vacinal insuficiente.
Em 2025, o Brasil registrou 38 casos importados, todos contidos por meio de resposta rápida baseada em vigilância ativa, vacinação de bloqueio e monitoramento de contatos. Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia foi reconhecida pela Opas como modelo para conter ocorrências pontuais sem permitir que a doença voltasse a circular de forma contínua no país.
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa que, antes da expansão de campanhas de imunização, figurava entre as principais causas de mortalidade infantil no mundo. Embora os óbitos tenham diminuído de forma expressiva nas últimas décadas, a doença ainda representa ameaça significativa, especialmente em comunidades com baixa cobertura vacinal.
Os sintomas iniciais incluem febre, coriza, tosse e irritação ocular, quadro que pode ser confundido com outras viroses respiratórias. Entre o terceiro e o quinto dia, surgem manchas avermelhadas na pele, acompanhadas de coceira, geralmente começando na cabeça e se espalhando pelo corpo. A pasta alerta que a identificação precoce é fundamental para evitar complicações graves, como pneumonia e encefalite.
A transmissão ocorre pelo ar, por gotículas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou mesmo respirar. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que uma pessoa infectada pode contagiar até 90% dos indivíduos suscetíveis que permaneçam em seu ambiente. O vírus pode ser transmitido desde seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas, período que exige vigilância rigorosa de contatos e isolamento quando necessário.
Para prevenir a doença, a principal recomendação é manter o esquema vacinal em dia. A vacina tríplice viral, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde, protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Crianças devem receber a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Jovens e adultos não imunizados ou com histórico vacinal incompleto também podem procurar as unidades básicas para regularizar a situação.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil