Outra frente de atuação prioriza territórios indígenas localizados em Dourados. Em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 106 visitas domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó, promovendo busca ativa de casos, orientação sobre prevenção e remoção de criadouros. Desde o início de março, mais de 2,2 mil residências nessas comunidades receberam agentes de saúde e de combate às endemias.
Na última semana, o ministério criou uma sala de situação específica para chikungunya com o objetivo de coordenar ações federais e articular decisões conjuntas entre gestores estaduais, municipais e outros órgãos públicos. A estrutura funcionará inicialmente na capital federal, mas deverá ser transferida para Dourados, permitindo acompanhamento in loco dos indicadores e definição rápida de estratégias.
Para reforçar as equipes locais, foi autorizada, em caráter emergencial, a contratação temporária de 20 agentes de combate a endemias. O processo seletivo será feito por análise curricular, e a expectativa é de que os profissionais iniciem as atividades nas próximas semanas, atuando em inspeções domiciliares, aplicação de larvicida e educação em saúde.
Desde 18 de março, a Força Nacional do SUS mantém 34 profissionais — entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem — mobilizados em Dourados. Eles atuam nas áreas de maior incidência da arbovirose, prestando assistência a pacientes com suspeita ou confirmação de infecção, além de apoiar a rede de atenção básica do município. O deslocamento da força-tarefa ocorreu após alerta emitido pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, que registrou aumento significativo de casos.
A chikungunya é uma arbovirose causada por vírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes. No Brasil, o principal vetor é o Aedes aegypti. O agente viral chegou ao continente americano em 2013 e, no ano seguinte, foi identificado laboratorialmente nos estados do Amapá e da Bahia. Hoje, todos os estados brasileiros notificam transmissão. Em 2023, o Ministério da Saúde destacou expansão territorial relevante, sobretudo na Região Sudeste, fenômeno que antes se concentrava no Nordeste.
Clinicamente, a infecção caracteriza-se por febre, edema e dor articular de intensidade variável, muitas vezes incapacitante. Também podem ocorrer manifestações extra-articulares; em situações graves, há necessidade de internação hospitalar e existe risco de óbito. Não há vacina de uso amplo disponível no Sistema Único de Saúde, o que reforça a importância de medidas de controle vetorial, vigilância e assistência precoce aos doentes.
Com o repasse emergencial de R$ 900 mil, o Ministério da Saúde espera ampliar a cobertura das ações de prevenção e reduzir tanto a circulação viral quanto o impacto da doença sobre a população de Dourados e municípios vizinhos. A pasta informou que acompanhará a execução dos recursos e que, se necessário, novas etapas de apoio poderão ser desencadeadas para garantir a continuidade das atividades de enfrentamento à chikungunya.
Crédito da imagem: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília