Ministério da Saúde interrompe temporariamente aplicação da vacina contra dengue do Butantan

O Ministério da Saúde determinou, na segunda-feira (8), a suspensão temporária da campanha de imunização contra a dengue que utiliza a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada em caráter de precaução após a notificação de 42 ocorrências classificadas como eventos adversos de maior gravidade, três delas resultando em internação hospitalar e duas em óbito.

Segundo a pasta, até 30 de maio haviam sido aplicadas pouco mais de 500 mil doses do imunizante em todo o país. Entre os vacinados, 3.703 pessoas (0,7%) relataram manifestações semelhantes às da dengue. Dentro desse grupo, 42 pacientes (0,008% do total) apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos, sintomas não observados na fase de estudos clínicos da vacina.

Os três casos classificados como graves envolveram adultos que atuam na atenção primária em saúde, público alvo de uma ação iniciada em fevereiro para proteger profissionais da linha de frente. Uma mulher de 39 anos evoluiu para choque, necessitou de unidade de terapia intensiva e recebeu alta posteriormente. Outra mulher, de 48 anos, desenvolveu meningoencefalite 19 dias após a vacinação e veio a óbito. O terceiro caso foi o de um homem de 58 anos, que apresentou choque refratário e também morreu.

Em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não é possível estabelecer relação causal entre a vacina e os eventos adversos, mas ressaltou que o número de ocorrências exige apuração detalhada. Um comitê de especialistas, formado por representantes da própria pasta, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan, conduzirá investigações que incluirão análise do histórico clínico dos pacientes, doenças preexistentes, possíveis fatores de risco individuais, causas alternativas, desvios de qualidade e eventuais falhas no ato de imunização.

A interrupção diz respeito exclusivamente ao imunizante do Butantan. A aplicação da Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e igualmente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), continua normalmente. Padilha ressaltou que o Ministério mantém “total confiança” na capacidade técnica do Instituto Butantan e que a vacinação permanece um instrumento essencial para o controle de doenças no país.

Incorporada ao SUS em janeiro, a vacina do Butantan vinha sendo utilizada em três municípios-piloto – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) – em um estudo de impacto populacional voltado a pessoas entre 15 e 59 anos. Em março, a estratégia foi estendida à região de Araguaína (TO). Já em fevereiro, teve início a imunização dos profissionais de saúde da atenção primária, com projeção de alcançar 1,2 milhão de trabalhadores.

O ministro orientou que indivíduos vacinados nos últimos 21 dias sejam acompanhados mais de perto pelas equipes de saúde. A recomendação é procurar uma unidade de atendimento caso surjam febre, dor abdominal contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora geral do estado clínico.

Ministério da Saúde interrompe temporariamente aplicação da vacina contra dengue do Butantan - Radar da Saúde 8

Imagem: Radar da Saúde 8

O Instituto Butantan informou, em nota, que a pausa na aplicação permitirá “reavaliação da estratégia vacinal” e garantirá a segurança da população nas próximas etapas. A entidade destacou resultados de eficácia global de 79,6% e de 89% contra formas graves da doença, divulgados em revista científica internacional, e afirmou que o monitoramento de farmacovigilância realizado nos municípios que receberam vacinação em massa não havia registrado eventos adversos relevantes até o momento.

Os casos graves foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e Outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai). Ambos os colegiados recomendaram a suspensão temporária até a conclusão das investigações. A decisão não invalida a eficácia do produto já aplicado, e quem recebeu a dose continua a se beneficiar da proteção, informou o Ministério da Saúde.

Não há previsão para retomada da campanha com o imunizante do Butantan. O cronograma dependerá dos resultados da análise de caso-controle que será conduzida pelos especialistas. Enquanto isso, o Ministério reforça a importância das medidas de prevenção à dengue, como eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, uso de repelentes e manutenção de vigilância ativa para identificação precoce de sinais de agravamento da doença.

Crédito da imagem: Instituto Butantan/Divulgação

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