Procedimentos contemplados
Nos dois dias de mobilização, as mulheres atendidas podem realizar tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias, exames auditivos, avaliações de visão e outros testes considerados essenciais para o diagnóstico precoce de doenças. No âmbito cirúrgico, a lista inclui histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumores no útero, laqueadura, correção de catarata, tratamento de varizes, remoção de hérnia, colecistectomia e excisão de tumores cutâneos.
Outra frente priorizada é a implantação de métodos contraceptivos de longa duração. Estão programados 3,8 mil implantes subdérmicos de etonogestrel, conhecido comercialmente como Implanon. O dispositivo, aplicado sob a pele do antebraço, tem eficácia estimada em três anos e, no sistema público, é oferecido sem custo à usuária. Na rede privada, o mesmo procedimento pode chegar a R$ 3 mil.
Exemplos de impacto direto
A movimentação do HUB ilustra a repercussão prática do mutirão. A trabalhadora doméstica Roseane Cunha, de 41 anos, aguardava há cerca de quatro anos por atendimento especializado após identificar perda auditiva progressiva. Durante a força-tarefa, ela recebeu aparelho auditivo adaptado ao grau da deficiência e saiu com encaminhamento para cirurgia corretiva, que será marcada posteriormente.
No mesmo hospital, mulheres com mais de 40 anos foram convocadas para uma triagem oftalmológica que incluiu exames de fundo de olho, aferição de pressão intraocular e prescrição de lentes corretivas. A roupeira Cristina Pereira Gonçalves, 42 anos, recebeu óculos novos e foi indicada para cirurgia de pterígio, lesão que pode comprometer a visão se não for retirada.
Modelo de financiamento
O programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025, alterou a lógica de custeio da tabela do SUS. Em determinados procedimentos, o valor pago a hospitais e clínicas foi multiplicado por até quatro, o que, segundo o ministério, estimulou uma adesão mais ampla da rede. Além disso, instituições privadas com débitos federais podem quitá-los mediante a oferta de cirurgias e exames a usuários do SUS, ampliando a capacidade instalada sem demandar novas construções ou compra de equipamentos adicionais.
Secretarias estaduais e municipais ficaram responsáveis pela regulação das pacientes. Dessa forma, apenas quem já se encontrava na lista de espera foi convocado, garantindo que o mutirão não criasse um fluxo paralelo e respeitasse a ordem cronológica dos pedidos.
Organização e logística
A mobilização nacional envolveu escalas extraordinárias de profissionais, liberação de centros cirúrgicos em horários estendidos e utilização plena de equipamentos de imagem. Equipes multiprofissionais — formadas por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e técnicos — atuaram de forma coordenada para acelerar diagnósticos, definir condutas e executar intervenções, sempre dentro dos protocolos clínicos do SUS.
Além dos procedimentos eletivos, o HUB disponibilizou sessões de radioterapia e embolização de miomas, ampliando o alcance para pacientes oncológicas e portadoras de patologias benignas que impactam significativamente a qualidade de vida. De acordo com a direção da unidade, a concentração de esforços em um único fim de semana contribui para otimizar recursos e reduzir custos operacionais, sem comprometer a segurança assistencial.
Perspectivas
O Ministério da Saúde planeja repetir ações semelhantes ao longo do ano, ajustando a oferta conforme o perfil de demanda de cada região. A meta é manter a fila sob controle e garantir que exames e cirurgias de média e alta complexidade não ultrapassem prazos considerados clinicamente seguros. A pasta acrescenta que, a cada novo mutirão, os dados de resolutividade são analisados para refinar protocolos e aprimorar a alocação de verbas, com foco na sustentabilidade do SUS.
Crédito da imagem: Agência Brasil