Segundo o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, o cenário atual oferece um arsenal farmacológico mais amplo do que no passado, o que exige avaliação clínica cada vez mais individualizada. Para ele, a diretriz transforma avanços científicos recentes em orientações práticas, facilitando a tomada de decisão e ampliando a segurança do tratamento.
O texto foi elaborado por um grupo multidisciplinar composto por endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas. As orientações são apresentadas conforme classes de recomendação e níveis de evidência, metodologia que busca respaldar cada sugestão na robustez dos estudos disponíveis. Entre os tópicos contemplados estão risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa não alcoólica, osteoartrite, alguns tipos de câncer, deficiência de testosterona em homens, apneia obstrutiva do sono e perda de massa magra ou muscular. Esse recorte temático procura responder a situações rotineiras enfrentadas no consultório.
Ao mesmo tempo em que detalha critérios de indicação, a Abeso reforça limites claros para o uso de medicamentos. A diretriz traz alertas sobre cenários em que o tratamento não é recomendado, bem como sobre substâncias cuja eficácia e segurança não foram comprovadas em ensaios clínicos. Entre os exemplos citados estão fórmulas magistrais e produtos manipulados que combinam diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG). A entidade destaca que essas composições carecem de evidência científica robusta e podem expor o paciente a riscos desnecessários.
Outro ponto salientado é a necessidade de acompanhamento contínuo. Mesmo nos casos em que o medicamento é prescrito, o documento recomenda monitorar indicadores metabólicos, desempenho funcional e possíveis efeitos adversos. A associação sustenta que a eficácia do tratamento depende da integração entre intervenção farmacológica, reeducação alimentar, prática de exercícios e suporte psicológico, quando indicado.
Para facilitar a aplicação cotidiana, a diretriz propõe fluxogramas que auxiliam na escolha do fármaco de acordo com o perfil do paciente e os objetivos terapêuticos. As recomendações incluem avaliação prévia de contraindicações, ajuste de dose conforme resposta clínica e revisão periódica da necessidade de manter, trocar ou suspender o medicamento.
A publicação também busca alinhar profissionais de diferentes áreas, reforçando que o combate à obesidade requer abordagem multiprofissional. A Abeso orienta que as metas de perda de peso sejam realistas, graduais e ajustadas individualmente, ressaltando que reduções de 5% a 10% do peso corporal já proporcionam benefícios metabólicos expressivos, como melhora da pressão arterial, da glicemia e do perfil lipídico.
Com as novas recomendações, a entidade pretende padronizar condutas, reduzir disparidades no atendimento e aumentar a efetividade das intervenções. A íntegra das diretrizes está disponível no site da associação.
Crédito da imagem: Cristian Camilo/Divulgação