Como funcionam as duas tecnologias
Método Wolbachia – Nessa abordagem, fêmeas do mosquito recebem a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em mais de 60% dos insetos, mas ausente no Aedes aegypti. A bactéria compete com o vírus dentro do mosquito e impede sua replicação. Quando a fêmea infectada se reproduz, toda a prole herda a Wolbachia e perde a capacidade de transmitir doenças. A solução é indicada para campanhas governamentais em áreas extensas.
Aedes do Bem – O segundo recurso utiliza machos estéreis, lançados em grande número. Eles cruzam com fêmeas selvagens, gerando descendentes apenas machos; as larvas fêmeas morrem antes de atingir a fase adulta. O resultado é a queda drástica da população de mosquitos que picam, ideal para intervenções pontuais em bairros ou condomínios.
Segundo a diretora-executiva da Oxitec Brasil, Natalia Verza Ferreira, os dois sistemas são complementares, mas não devem ser aplicados simultaneamente. “Recomenda-se iniciar com o Aedes do Bem durante a temporada mais quente e, depois de dois meses, liberar os mosquitos com Wolbachia para consolidar o bloqueio da transmissão”, explicou.
Planejamento para a temporada 2025/2026
A próxima época de chuvas, entre outubro e maio, deverá marcar a primeira grande distribuição comercial do Aedes do Bem em território nacional. Após a fase de supressão, a estratégia prevê a introdução da Wolbachia por um período de nove a 15 semanas, variável conforme a temperatura ambiente que influencia o ciclo de vida do inseto.
O processo aguarda apenas a liberação definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, a tecnologia permanece em regime provisório até 2027. O Ministério da Saúde, no entanto, considera o método prioridade e trabalha para formalizar a regulamentação antes do pico de casos.
Financiamento privado e oferta ao setor público
A Oxitec afirma que não utilizou recursos governamentais para erguer o complexo. O investimento, cujo valor não foi divulgado, cobre toda a infraestrutura e o custeio inicial da operação. A empresa se comprometeu a vender ovos e mosquitos a administrações estaduais e municipais interessados em ampliar suas ações de combate ao vetor.
Nos últimos anos, surtos severos de dengue exigiram gastos emergenciais com pulverização química e campanhas de conscientização. Especialistas esperam que as alternativas biológicas reduzam custos de longo prazo, pois o efeito da Wolbachia se mantém nas gerações seguintes dos mosquitos.
Próximos passos
Além do mercado brasileiro, a nova planta pretende exportar ovos para países vizinhos que já solicitaram propostas de fornecimento. A empresa estuda instalar centros regionais de distribuição para facilitar a logística em áreas de difícil acesso.
Enquanto a Anvisa finaliza os trâmites regulatórios, equipes da Oxitec treinam técnicos municipais para realizar solturas controladas, monitoramento de armadilhas e coleta de dados epidemiológicos. O objetivo é comprovar nos primeiros 12 meses de uso a redução de casos humanos, elemento essencial para ampliar a adoção da tecnologia nos planos estaduais de saúde.
No cenário global, o Brasil torna-se referência em controle biológico do Aedes aegypti, alinhado às diretrizes da OMS para soluções sustentáveis e de baixo impacto ambiental.
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