OMS alerta que ataques a unidades de saúde no Líbano não podem virar rotina

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, declarou que os ataques contra instalações e profissionais de saúde no Líbano não devem ser encarados como algo normal. A afirmação foi feita após a ofensiva registrada no domingo, 7 de abril, nas proximidades do Hospital Universitário Rafik Hariri, situado em Beirute e considerado o maior centro de saúde pública do país. O episódio resultou na morte de pelo menos quatro pessoas e deixou outras 30 feridas.

Agências de notícias atribuem a investida a militantes do movimento Hezbollah, que teriam lançado projéteis em direção ao norte de Israel. O fogo cruzado, segundo esses relatos, intensificou-se desde o início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro, espalhando suas consequências pela região. A OMS sustenta que a proteção de pacientes, equipes médicas e trabalhadores humanitários é uma obrigação internacional, e não um ato facultativo.

Levantamento da própria organização mostra uma sequência constante de agressões a serviços de saúde libaneses. Entre 28 e 31 de março foram identificados 11 incidentes, o equivalente a uma média de dois por dia, atingindo hospitais e postos de atendimento tanto no sul do país quanto na capital. Esses ataques comprometem leitos, equipamentos, ambulâncias e insumos essenciais, ampliando o desafio de manter o atendimento à população.

Em meio à escalada de violência, as necessidades humanitárias aumentam diariamente. Hospitais operam acima da capacidade, estoques de medicamentos diminuem e a infraestrutura crítica sofre desgaste sem tempo suficiente para reposição ou reparos. Além do impacto direto sobre pacientes e profissionais, a crise de segurança agrava o cenário econômico: preços internacionais do petróleo permanecem elevados e interrupções no fornecimento contribuem para a inflação global.

A repercussão internacional não se limita ao Líbano. Ainda no fim de semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou ataques militares nas proximidades da Usina Nuclear de Bushehr, no Irã. Um dos artefatos teria caído a apenas 75 metros do perímetro da instalação. Análise de imagens de satélite datadas de 5 de abril indica que a estrutura da usina não sofreu danos, mas o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, advertiu para o risco real de um acidente radiológico de grandes proporções, com efeitos nocivos para a população e para o meio ambiente.

O alerta de Grossi reforça a preocupação da comunidade internacional com a ampliação do conflito. Bushehr, localizada às margens do Golfo Pérsico, é a principal central nuclear iraniana e opera sob supervisão da AIEA. Qualquer comprometimento de sua segurança poderia desencadear uma crise de contaminação, exigindo evacuações em massa e implicando custos socioeconômicos elevados para toda a região.

Diante dos acontecimentos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas articula uma reunião para analisar um projeto de resolução sobre a situação no Irã. A proposta, apresentada pelo Bahrein, circula entre os 15 países-membros desde a semana passada e deverá ser submetida à votação ainda nesta semana. O texto, segundo diplomatas, busca condenar ataques a instalações civis, reafirmar a necessidade de respeitar o direito internacional humanitário e exigir garantias à proteção de infraestruturas críticas, incluindo unidades de saúde e usinas nucleares.

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Imagem: Internet

No Líbano, organizações humanitárias relatam esforços para reforçar estoques de medicamentos, estabelecer rotas alternativas de ambulâncias e capacitar equipes de emergência. Entretanto, a continuidade dos confrontos dificulta o acesso de suprimentos, enquanto a população civil enfrenta cortes de energia, redução do abastecimento de água e instabilidade no fornecimento de combustíveis.

Para a OMS, a revisão das normas de engajamento nos combates é indispensável. Ghebreyesus sublinha que o direito internacional humanitário proíbe ataques a hospitais, clínicas, ambulâncias e profissionais de saúde. A agência monitora a situação em coordenação com parceiros locais e internacionais, mas destaca que a eficácia de qualquer resposta depende da cessação das hostilidades e do respeito às convenções que regem conflitos armados.

Sem sinais de trégua imediata, autoridades sanitárias libanesas alertam para a possibilidade de novos deslocamentos internos, agravando a pressão sobre comunidades que já acolhem refugiados sírios e palestinos. Ao mesmo tempo, o aumento do custo de vida pesa sobre famílias que enfrentam desemprego elevado e perda de renda, ampliando a demanda por serviços sociais em um momento de capacidade reduzida do Estado.

Nas próximas horas, a atenção internacional permanecerá voltada para as discussões no Conselho de Segurança e para a evolução dos combates. Enquanto isso, a OMS e a AIEA reiteram que a proteção de civis, profissionais de saúde e instalações nucleares é um imperativo que transcende interesses militares ou políticos.

Crédito da imagem: ONU News

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