OMS atualiza composição da vacina contra gripe para temporada 2026-2027 do Hemisfério Norte

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira novas recomendações para a formulação das vacinas contra a influenza que serão usadas na temporada 2026-2027 do Hemisfério Norte. O anúncio conclui uma consulta técnica de quatro dias, na qual especialistas avaliaram dados de vigilância coletados em todo o mundo.

Atualização periódica garante maior proteção

Os vírus influenza sofrem mutações constantes, o que exige a revisão anual das cepas que compõem os imunizantes. As orientações da OMS servem de base para autoridades reguladoras nacionais e fabricantes, que ajustam a produção para adequar as doses aos vírus com maior probabilidade de circular. Esse processo tem o objetivo de oferecer a melhor defesa possível contra casos graves e óbitos.

De acordo com estimativas da agência de saúde, a gripe sazonal provoca cerca de 1 bilhão de infecções a cada ano, incluindo entre 3 milhões e 5 milhões de ocorrências graves. As mortes por complicações respiratórias variam de 290 mil a 650 mil anualmente.

A OMS realiza duas consultas técnicas por ano, uma voltada para o Hemisfério Norte e outra para o Hemisfério Sul. Participam desses encontros especialistas de centros colaboradores e de laboratórios regulatórios que integram o Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza da organização.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os vírus da gripe “circulam globalmente e evoluem temporada após temporada”, ressaltando que riscos compartilhados exigem ação coordenada. Ele destacou o trabalho minucioso dos pesquisadores que embasa a seleção das cepas.

Surgimento de nova variante AH3N2 antecipou a última temporada

Durante a análise dos dados mais recentes, os consultores identificaram o impacto de uma variante significativamente diferente do vírus AH3N2. Catalogada como J.2.4.1 e também chamada de subclado K, essa cepa apareceu em agosto de 2025 e se espalhou rapidamente, antecipando o início da temporada de gripe em diversos países. Em várias regiões, o subclado K respondeu pela maioria dos isolados notificados.

No conjunto global, os vírus do tipo A permaneceram predominantes. Além da variante J.2.4.1, outras linhagens de AH3N2 e casos de AH1N1 foram detectados. Já os vírus do tipo B apareceram em níveis baixos, e não houve registros da linhagem B/Yamagata desde março de 2020.

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Imagem: Internet

Monitoramento de infecções em animais permanece crucial

Os especialistas também revisaram a circulação de vírus influenza em animais, dando atenção especial aos que já causaram infecções humanas. Entre 23 de setembro de 2025 e a conclusão da consulta, 25 casos de gripe zoonótica em pessoas foram notificados à OMS por seis países. A maioria dos pacientes teve contato direto com animais infectados ou com ambientes contaminados, e não houve indícios de transmissão sustentada entre humanos.

Esse acompanhamento faz parte de um esforço contínuo para identificar agentes com potencial pandêmico. Nas reuniões semestrais, o grupo avalia se algum vírus animal deve ser transformado em candidato a vacina, medida que facilita a produção rápida de imunizantes caso surja uma ameaça mais ampla.

No encontro encerrado hoje, o comitê recomendou que o vírus AH9N2 seja mantido como candidato prioritário. A cepa provoca uma forma endêmica de gripe aviária em aves domésticas na Ásia, na África e no Oriente Médio, gerando infecções humanas esporádicas e, em geral, leves. Ao designar o AH9N2 como candidato, a OMS busca garantir que existam bases técnicas prontas para uma eventual fabricação em larga escala, caso o vírus adquira capacidade de transmissão eficaz entre pessoas.

As recomendações divulgadas agora servirão de referência para que laboratórios iniciem a produção dos lotes-piloto destinados à temporada 2026-2027 do Hemisfério Norte. Os imunizantes resultantes deverão contemplar as cepas identificadas como mais prováveis de circular, reforçando a preparação global diante de possíveis surtos ou de uma nova pandemia.

Crédito da imagem: UN News

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