A OMS realiza duas consultas técnicas por ano, uma voltada para o Hemisfério Norte e outra para o Hemisfério Sul. Participam desses encontros especialistas de centros colaboradores e de laboratórios regulatórios que integram o Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza da organização.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os vírus da gripe “circulam globalmente e evoluem temporada após temporada”, ressaltando que riscos compartilhados exigem ação coordenada. Ele destacou o trabalho minucioso dos pesquisadores que embasa a seleção das cepas.
Surgimento de nova variante AH3N2 antecipou a última temporada
Durante a análise dos dados mais recentes, os consultores identificaram o impacto de uma variante significativamente diferente do vírus AH3N2. Catalogada como J.2.4.1 e também chamada de subclado K, essa cepa apareceu em agosto de 2025 e se espalhou rapidamente, antecipando o início da temporada de gripe em diversos países. Em várias regiões, o subclado K respondeu pela maioria dos isolados notificados.
No conjunto global, os vírus do tipo A permaneceram predominantes. Além da variante J.2.4.1, outras linhagens de AH3N2 e casos de AH1N1 foram detectados. Já os vírus do tipo B apareceram em níveis baixos, e não houve registros da linhagem B/Yamagata desde março de 2020.
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Monitoramento de infecções em animais permanece crucial
Os especialistas também revisaram a circulação de vírus influenza em animais, dando atenção especial aos que já causaram infecções humanas. Entre 23 de setembro de 2025 e a conclusão da consulta, 25 casos de gripe zoonótica em pessoas foram notificados à OMS por seis países. A maioria dos pacientes teve contato direto com animais infectados ou com ambientes contaminados, e não houve indícios de transmissão sustentada entre humanos.
Esse acompanhamento faz parte de um esforço contínuo para identificar agentes com potencial pandêmico. Nas reuniões semestrais, o grupo avalia se algum vírus animal deve ser transformado em candidato a vacina, medida que facilita a produção rápida de imunizantes caso surja uma ameaça mais ampla.
No encontro encerrado hoje, o comitê recomendou que o vírus AH9N2 seja mantido como candidato prioritário. A cepa provoca uma forma endêmica de gripe aviária em aves domésticas na Ásia, na África e no Oriente Médio, gerando infecções humanas esporádicas e, em geral, leves. Ao designar o AH9N2 como candidato, a OMS busca garantir que existam bases técnicas prontas para uma eventual fabricação em larga escala, caso o vírus adquira capacidade de transmissão eficaz entre pessoas.
As recomendações divulgadas agora servirão de referência para que laboratórios iniciem a produção dos lotes-piloto destinados à temporada 2026-2027 do Hemisfério Norte. Os imunizantes resultantes deverão contemplar as cepas identificadas como mais prováveis de circular, reforçando a preparação global diante de possíveis surtos ou de uma nova pandemia.
Crédito da imagem: UN News