Resultados positivos identificados
Entre os pontos considerados encorajadores estão:
- Mais de 60 dos 93 países avaliados integram ações voltadas a migrantes e refugiados em políticas ou legislações de saúde.
- Adoção ampliada de normas internacionais de qualidade e segurança do paciente para essa população.
- Exemplos práticos de implementação: ampliação de cobertura de seguro-saúde para migrantes na Tailândia; uso de mediadores de comunicação intercultural na Bélgica; participação de representantes de comunidades migrantes na definição da atenção primária no Chile.
Lacunas que ainda limitam a universalidade
O levantamento, porém, destaca pontos críticos que impedem a universalidade do atendimento:
- Apenas 37 % dos países coletam, analisam e divulgam rotineiramente informações de saúde relacionadas à migração em seus sistemas de vigilância.
- Só 42 % incluem migrantes e refugiados em planos de preparação para emergências, redução de riscos de desastres ou resposta a crises.
- Menos de 40 % oferecem capacitação contínua a profissionais de saúde sobre cuidados culturalmente sensíveis.
- Apenas 30 % implementaram campanhas de comunicação para enfrentar percepções equivocadas e discriminação.
- Acesso desigual permanece: refugiados tendem a obter serviços com maior frequência do que migrantes em situação irregular, deslocados internos, trabalhadores migrantes ou estudantes internacionais.
- Participação restrita: a maioria dos países mantém migrantes e refugiados sub-representados em instâncias de governança e tomada de decisão em saúde.
Recomendações da OMS
Para reverter as falhas apontadas, a OMS recomenda que governos, parceiros técnicos e financiadores:
Imagem: Internet
- Incluam migrantes e refugiados em todas as políticas, estratégias e planos de saúde nacionais.
- Fortaleçam a coleta e o uso de dados desagregados para planejamento, monitoramento e prestação de contas.
- Estabeleçam coordenação intersetorial envolvendo saúde, habitação, educação, emprego e proteção social.
- Adequem estratégias às necessidades de subgrupos específicos, incluindo pessoas em situação irregular.
- Engajem de forma significativa migrantes e refugiados na concepção, governança e avaliação de serviços.
- Capacitem profissionais de saúde para prestar cuidados equitativos e culturalmente adequados.
- Combatam desinformação e estigmas por meio de ações baseadas em evidências.
- Protejam e ampliem o financiamento de programas destinados a essas populações.
Benefícios para sistemas de saúde
A OMS sustenta que investir na saúde de migrantes e refugiados gera retornos de longo prazo, reforçando a segurança sanitária global e reduzindo gastos futuros para as sociedades anfitriãs. Além disso, lembra que integrantes dessas comunidades atuam como profissionais de saúde, cuidadores e líderes locais, colaborando diretamente para o funcionamento dos sistemas.
Parcerias estratégicas
No plano internacional, a OMS prosseguirá colaborando com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o Banco Mundial. A OIM tornou-se a primeira entidade a aderir à Rede Global de Certificação em Saúde Digital, infraestrutura pública hospedada pela OMS que permite a verificação segura de documentos de saúde entre países. A expectativa é que a nova cooperação facilite o acesso de migrantes a registros clínicos verificáveis onde quer que estejam, garantindo continuidade de cuidados além das fronteiras.
O relatório conclui que, embora os avanços sejam expressivos, a cobertura ainda distante da universalidade exige ação coordenada e sustentada para que nenhum migrante ou refugiado fique excluído dos sistemas de saúde.
Crédito da imagem: OMS