Para a organização, a expansão de ferramentas diagnósticas rápidas contribuirá para o cumprimento das metas globais de acesso a testes de tuberculose e de resistência a medicamentos, além de reduzir atrasos na início da terapia e, consequentemente, a transmissão comunitária. A entidade lembra que identificar a doença antes que o paciente abandone o local de atendimento é fundamental, sobretudo em áreas com infraestrutura limitada.
Situação no Brasil
No contexto nacional, o Boletim Epidemiológico Tuberculose 2025, publicado pelo Ministério da Saúde, registrou 84,3 mil casos em 2024, o que equivale a 39,7 ocorrências por 100 mil habitantes. No mesmo período, foram confirmados mais de 6 mil óbitos. Entre os estados, Amazonas liderou a incidência, com 94,7 casos por 100 mil habitantes, seguido por Rio de Janeiro (75,3) e Roraima (64,3).
No recorte de mortalidade consolidade em 2023, Amazonas apresentou o coeficiente mais alto, de 5,1 mortes por 100 mil habitantes. Pernambuco e Rio de Janeiro vieram em seguida, com índices de 4,8 e 4,6, respectivamente. Os números reforçam a necessidade de ampliar a testagem e garantir início rápido do tratamento, recomenda o ministério.
Como a doença se propaga
A tuberculose é provocada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, e afeta principalmente os pulmões, embora possa atingir outros órgãos. A forma extrapulmonar é mais frequente em pessoas vivendo com HIV. A transmissão ocorre por vias respiratórias, quando partículas expelidas por tosse, fala ou espirro de um paciente com tuberculose ativa são inaladas por outras pessoas.
O Ministério da Saúde calcula que, ao longo de um ano, um indivíduo não tratado com tuberculose pulmonar ou laríngea pode infectar de 10 a 15 pessoas. A infectividade cai progressivamente após o início do tratamento e, em geral, torna-se muito baixa após 15 dias, mas medidas de controle contínuo são recomendadas até a baciloscopia negativar. Entre essas ações estão cobrir a boca ao tossir, manter ambientes bem ventilados e expostos à luz solar direta—o bacilo é sensível à claridade e a circulação de ar dispersa gotículas infectantes.
Sinais de alerta e busca por atendimento
Os principais sintomas incluem tosse persistente (seca ou com catarro) por três semanas ou mais, febre no fim da tarde, suor noturno e perda de peso. Diante desses indícios, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação clínica e realização de exames. Caso a tuberculose seja confirmada, o tratamento deve começar o quanto antes e ser concluído conforme a prescrição, a fim de evitar recaídas e o desenvolvimento de bactérias resistentes.
A OMS salienta que a introdução de testes rápidos pode encurtar o intervalo entre a identificação dos sintomas e o início da terapia, etapa decisiva para interromper a cadeia de transmissão. Além de beneficiar o paciente individualmente, o diagnóstico precoce reduz a carga de doença na comunidade e diminui custos ligados a internações ou tratamentos de longa duração.
Segundo a organização, a disponibilidade de kits portáteis representa uma oportunidade para descentralizar o enfrentamento da tuberculose, aproximando o serviço diagnóstico de áreas remotas ou de difícil acesso. O órgão conclui que, sem investimento contínuo e expansão de tecnologias acessíveis, as metas de erradicação estabelecidas internacionalmente correm risco de não serem alcançadas.
Crédito da imagem: Agecom Bahia