OMS defende ampliação de testes rápidos para acelerar erradicação da tuberculose

No Dia Mundial da Tuberculose, lembrado em 24 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a pedir que governos e serviços de saúde adotem, com maior rapidez, tecnologias de diagnóstico capazes de detectar a doença no próprio ponto de atendimento. Entre os métodos ressaltados pela entidade estão os testes portáteis de resposta em menos de uma hora e amostras coletadas por swab de língua, que dispensam infraestrutura laboratorial complexa.

De acordo com a OMS, esses dispositivos funcionam com bateria, custam menos da metade dos exames moleculares já disponíveis e oferecem resultado em tempo suficiente para que o tratamento seja iniciado ainda na primeira consulta. A entidade avalia que a redução de preço e a simplicidade operacional podem facilitar a implantação em regiões que, atualmente, dependem do envio de amostras para laboratórios centralizados—a principal barreira à detecção precoce em muitos países.

Dados divulgados pelo órgão mostram que a tuberculose continua entre as infecções mais letais do planeta. Todos os dias, mais de 3,3 mil pessoas morrem em decorrência da enfermidade, enquanto cerca de 29 mil novos casos são registrados. Apesar de cerca de 83 milhões de vidas terem sido salvas graças aos esforços de controle desde 2000, o corte em orçamentos de saúde ameaça comprometer os avanços obtidos nas últimas décadas.

Para a organização, a expansão de ferramentas diagnósticas rápidas contribuirá para o cumprimento das metas globais de acesso a testes de tuberculose e de resistência a medicamentos, além de reduzir atrasos na início da terapia e, consequentemente, a transmissão comunitária. A entidade lembra que identificar a doença antes que o paciente abandone o local de atendimento é fundamental, sobretudo em áreas com infraestrutura limitada.

Situação no Brasil

No contexto nacional, o Boletim Epidemiológico Tuberculose 2025, publicado pelo Ministério da Saúde, registrou 84,3 mil casos em 2024, o que equivale a 39,7 ocorrências por 100 mil habitantes. No mesmo período, foram confirmados mais de 6 mil óbitos. Entre os estados, Amazonas liderou a incidência, com 94,7 casos por 100 mil habitantes, seguido por Rio de Janeiro (75,3) e Roraima (64,3).

No recorte de mortalidade consolidade em 2023, Amazonas apresentou o coeficiente mais alto, de 5,1 mortes por 100 mil habitantes. Pernambuco e Rio de Janeiro vieram em seguida, com índices de 4,8 e 4,6, respectivamente. Os números reforçam a necessidade de ampliar a testagem e garantir início rápido do tratamento, recomenda o ministério.

Como a doença se propaga

A tuberculose é provocada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, e afeta principalmente os pulmões, embora possa atingir outros órgãos. A forma extrapulmonar é mais frequente em pessoas vivendo com HIV. A transmissão ocorre por vias respiratórias, quando partículas expelidas por tosse, fala ou espirro de um paciente com tuberculose ativa são inaladas por outras pessoas.

OMS defende ampliação de testes rápidos para acelerar erradicação da tuberculose - Radar da Saúde 22

Imagem: Radar da Saúde 22

O Ministério da Saúde calcula que, ao longo de um ano, um indivíduo não tratado com tuberculose pulmonar ou laríngea pode infectar de 10 a 15 pessoas. A infectividade cai progressivamente após o início do tratamento e, em geral, torna-se muito baixa após 15 dias, mas medidas de controle contínuo são recomendadas até a baciloscopia negativar. Entre essas ações estão cobrir a boca ao tossir, manter ambientes bem ventilados e expostos à luz solar direta—o bacilo é sensível à claridade e a circulação de ar dispersa gotículas infectantes.

Sinais de alerta e busca por atendimento

Os principais sintomas incluem tosse persistente (seca ou com catarro) por três semanas ou mais, febre no fim da tarde, suor noturno e perda de peso. Diante desses indícios, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação clínica e realização de exames. Caso a tuberculose seja confirmada, o tratamento deve começar o quanto antes e ser concluído conforme a prescrição, a fim de evitar recaídas e o desenvolvimento de bactérias resistentes.

A OMS salienta que a introdução de testes rápidos pode encurtar o intervalo entre a identificação dos sintomas e o início da terapia, etapa decisiva para interromper a cadeia de transmissão. Além de beneficiar o paciente individualmente, o diagnóstico precoce reduz a carga de doença na comunidade e diminui custos ligados a internações ou tratamentos de longa duração.

Segundo a organização, a disponibilidade de kits portáteis representa uma oportunidade para descentralizar o enfrentamento da tuberculose, aproximando o serviço diagnóstico de áreas remotas ou de difícil acesso. O órgão conclui que, sem investimento contínuo e expansão de tecnologias acessíveis, as metas de erradicação estabelecidas internacionalmente correm risco de não serem alcançadas.

Crédito da imagem: Agecom Bahia

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