Embora cerca de 466 milhões de estudantes recebam algum tipo de refeição no período escolar, a OMS ressalta a falta de informações consolidadas sobre o conteúdo nutricional desses cardápios. Levantamento da agência mostra que, até outubro de 2025, 104 Estados-membros contavam com políticas nacionais de alimentação escolar saudável. Desses, quase 75% estabeleceram critérios obrigatórios sobre a composição dos alimentos servidos. No entanto, apenas 48 países adotaram regras que limitam a comercialização de produtos ricos em açúcar, sal ou gorduras não saudáveis dentro ou nas proximidades das escolas.
Para orientar governos, gestores locais e comunidades escolares, o novo conjunto de diretrizes foi elaborado por um grupo multidisciplinar de especialistas internacionais em nutrição, saúde pública, educação e políticas alimentares. O processo de redação baseou-se em evidências científicas e envolveu análise de boas práticas já implementadas em diferentes regiões. O resultado é um guia que sugere medidas como:
- definição de padrões nutricionais mínimos para refeições e lanches oferecidos na escola;
- regulamentação de cantinas, quiosques e máquinas de venda automática para restringir opções ultraprocessadas;
- educação alimentar integrada ao currículo, incluindo atividades práticas como hortas escolares;
- contratação de fornecedores locais e incentivo a alimentos de origem sustentável;
- monitoramento regular do estado nutricional dos alunos e avaliação da qualidade dos cardápios.
As recomendações também reconhecem o papel de autoridades subnacionais e municipais na execução das políticas. A descentralização é vista como estratégia para adaptar as ações às particularidades culturais, agrícolas e socioeconômicas de cada território, garantindo maior eficácia e aceitação das mudanças propostas.
Além de orientar a formulação de políticas, a OMS destaca que a implementação deve ser acompanhada por investimentos em infraestrutura, capacitação de funcionários e engajamento das famílias. A organização alerta que, sem apoio financeiro e institucional adequado, as medidas podem não atingir os resultados esperados.
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O lançamento das diretrizes integra um esforço mais amplo da OMS para criar ambientes alimentares saudáveis e conter o avanço da obesidade infantil. A agência estima que intervenções no ambiente escolar possam reduzir significativamente a exposição a alimentos ultraprocessados, estimular o consumo de frutas, verduras e legumes e, consequentemente, melhorar marcadores de saúde a curto e longo prazos.
Governos interessados em adotar ou fortalecer programas de alimentação escolar podem utilizar o documento como referência para planejar metas, indicadores de acompanhamento e mecanismos de fiscalização. A OMS se comprometeu a oferecer suporte técnico aos países que solicitarem assistência na adaptação das recomendações ao contexto nacional.
Com a publicação das orientações, a agência das Nações Unidas reforça que a alimentação saudável nas escolas é componente essencial de políticas públicas de saúde, educação e desenvolvimento. Ao posicionar o refeitório, a cantina e a sala de aula como espaços prioritários de intervenção, a organização busca contribuir para que a próxima geração cresça com condições nutricionais adequadas e menor risco de doenças relacionadas à dieta.
Crédito da imagem: PMA/Michael Tewelde