OMS solicita US$ 1 bilhão para enfrentar as maiores crises de saúde no mundo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um apelo de US$ 1 bilhão para financiar a resposta às crises sanitárias consideradas mais graves em curso no planeta. O pedido de recursos foi apresentado em meio à divulgação de um balanço sobre as iniciativas realizadas ao longo do ano em diferentes regiões, que inclui resultados obtidos no Brasil, na Guiné-Bissau, em Timor-Leste e em Moçambique.
De acordo com a agência, os projetos implementados nesses quatro países cobrem áreas estratégicas como ampliação da cobertura de serviços essenciais, campanhas de vacinação e ações de emergência. Os dados divulgados indicam que, mesmo em um cenário de pressões financeiras e sobrecarga dos sistemas nacionais de saúde, houve avanços que possibilitaram expandir o acesso da população a cuidados básicos e reforçar mecanismos de prevenção de surtos.
No Brasil, a OMS destaca esforços para fortalecer a cobertura de saúde em diferentes níveis de atenção. As atividades concentraram-se na integração de serviços e na melhoria da capacidade de resposta das autoridades locais a demandas emergenciais, com ênfase na continuidade de procedimentos de rotina. Já na Guiné-Bissau, o foco recaiu principalmente sobre campanhas de imunização, apontadas como essenciais para reduzir a incidência de doenças evitáveis em comunidades vulneráveis.
Em Timor-Leste, foram relatadas ações conjuntas destinadas a manter o ritmo de vacinação e a consolidar redes de vigilância epidemiológica. A estratégia contemplou o treinamento de profissionais de saúde e a distribuição de insumos, fatores considerados determinantes para elevar a cobertura vacinal no país. Em Moçambique, a agência informou que concentrou esforços na resposta a emergências, apoiando a gestão de incidentes de saúde pública e a restauração de serviços interrompidos por crises anteriores.
O pronunciamento que detalha os resultados reúne os principais pontos de colaboração entre a OMS e seus parceiros ao longo de aproximadamente oito décadas. No documento, a organização enfatiza conquistas acumuladas desde sua criação e reconhece a existência de desafios persistentes, sobretudo em áreas suscetíveis a conflitos, desastres naturais ou infraestrutura limitada. Para a OMS, os avanços alcançados em 2023 evidenciam a importância de consolidar sistemas de saúde resilientes e de assegurar financiamento estável para intervenções de longo prazo.
O apelo financeiro de US$ 1 bilhão foi anunciado no mesmo período em que os Estados Unidos concluíram o processo formal de retirada da OMS. A decisão norte-americana encerrou a participação do país na agência, fato que gerou repercussão entre Estados-membros e instituições de cooperação internacional. A OMS não comentou sobre eventuais impactos orçamentários diretos decorrentes da saída, limitando-se a reiterar o compromisso de seguir atuando em todas as regiões afetadas por emergências de saúde.
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Segundo a organização, a soma solicitada será direcionada a operações de resposta rápida, manutenção de programas de imunização e fortalecimento de sistemas de vigilância. A agência argumenta que a disponibilidade imediata de recursos permite reduzir a mortalidade em situações de risco, impedir a disseminação de surtos e preservar serviços essenciais, especialmente em localidades com capacidade institucional reduzida.
A OMS ressalta que o financiamento também apoiará a continuidade de projetos considerados bem-sucedidos em 2023. Entre eles estão as intervenções que elevaram a cobertura de saúde no Brasil, reforçaram campanhas de vacinação na Guiné-Bissau, mantiveram a vigilância epidemiológica em Timor-Leste e aprimoraram a resposta a emergências em Moçambique. A instituição avalia que, sem aportes adicionais, esses resultados podem ser revertidos ou desacelerados, comprometendo metas globais de saúde pública.
O pedido da agência foi encaminhado aos Estados-membros, parceiros multilaterais e organizações filantrópicas. A OMS informou que seguirá prestando contas sobre a aplicação dos valores arrecadados, bem como atualizando regularmente os indicadores de desempenho de cada iniciativa contemplada. A expectativa é mobilizar os recursos ao longo dos próximos meses, garantindo a continuidade dos programas já em andamento e a abertura de novas frentes de apoio nas regiões classificadas como prioritárias.
Crédito da imagem: Organização Mundial da Saúde