RADAR DA SAÚDE

OMS destaca prevenção e tratamento como eixos centrais contra câncer do colo do útero

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou que a prevenção primária por meio da vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) e o acesso ao diagnóstico precoce, com consequente tratamento das lesões, são as principais medidas para conter o avanço do câncer do colo do útero. A doença, associada em quase todos os casos à infecção por tipos de alto risco do HPV, figura como o quarto câncer mais frequente entre as mulheres em todo o mundo.

Dimensão global da doença

Estimativas da OMS indicam que, em 2022, cerca de 660 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer do colo do útero e aproximadamente 350 mil morreram em decorrência de complicações relacionadas. Segundo o organismo, 99% dos registros estão ligados a infecções por variantes de alto risco do HPV, geralmente transmitidas por contato sexual. A maioria das infecções é assintomática e tende a regredir sem intervenção; porém, quando persiste, pode causar alterações celulares que evoluem para o tumor.

Prevenção primária e secundária

Para reduzir a incidência da doença, a OMS recomenda estratégias combinadas de prevenção. A vacinação contra o HPV, indicada antes do início da vida sexual, protege contra os tipos virais mais associados ao câncer de colo uterino. Complementarmente, o rastreio regular — feito por exames como o teste de Papanicolau ou métodos de detecção de DNA do HPV — permite identificar lesões pré-cancerosas, que podem ser tratadas antes de progredirem.

Quando o tumor é diagnosticado em fase inicial, as chances de cura são elevadas. Mesmo nos estágios avançados, é possível controlar o crescimento com terapias adequadas e cuidados paliativos, o que reforça a importância do acesso oportuno a serviços de saúde.

Acesso e resultados clínicos

A OMS considera que a expansão de serviços de triagem, vacinação e tratamento é essencial para melhorar os desfechos clínicos. Países de baixa e média renda concentram a maior carga da doença, em parte pela limitada disponibilidade de programas de rastreio e de infraestrutura para tratamento oncológico. O organismo internacional destaca que ampliar o atendimento básico, integrar serviços de saúde sexual e reprodutiva e capacitar profissionais são ações decisivas para reduzir desigualdades.

Chamado à eliminação

Em maio de 2018, o diretor-geral da OMS conclamou a comunidade internacional a eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública. O apelo baseou-se na avaliação de que já existem instrumentos técnicos, médicos e políticos capazes de tornar essa meta exequível. Em janeiro de 2019, os Estados-Membros foram convidados a desenvolver uma estratégia global, definindo metas claras para o período de 2020 a 2030.

O documento resultante — Estratégia Global para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero como Problema de Saúde Pública — estabelece objetivos mensuráveis. Entre eles, estão vacinar 90% das meninas até os 15 anos, realizar rastreio em 70% das mulheres com testes de alta precisão entre 35 e 45 anos e garantir que 90% das pacientes com lesões ou câncer recebam tratamento adequado. A OMS afirma que cumprir essas metas colocará o mundo na trajetória de eliminação da doença nas próximas décadas.

OMS destaca prevenção e tratamento como eixos centrais contra câncer do colo do útero - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Desafios e perspectivas

Embora os recursos estejam disponíveis, a implementação das metas depende de financiamento sustentável, compras públicas de vacinas a preços acessíveis e integração de serviços de oncologia com a atenção primária. Outro desafio envolve a sensibilização da população para a importância da vacinação e do rastreio periódico, especialmente em regiões onde estigmas ou falta de informação limitam a procura por cuidados preventivos.

De acordo com a OMS, combinações de iniciativas governamentais, parcerias internacionais e engajamento comunitário serão determinantes para alcançar uma redução significativa no número de novos casos e de mortes nas próximas décadas. O organismo acrescenta que investir em prevenção gera economia para os sistemas de saúde, pois reduz a necessidade de tratamentos complexos em fases avançadas.

Com a mobilização global iniciada em 2018 e metas vigentes até 2030, a OMS mantém a expectativa de que o câncer do colo do útero possa deixar de ser uma ameaça significativa à saúde das mulheres, desde que vacinação, rastreio e tratamento sejam priorizados de forma coordenada.

Crédito da imagem: Unicef