Opas alerta para transmissão contínua de febre amarela em novos pontos da América do Sul

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) publicou novo alerta epidemiológico sobre a febre amarela, indicando transmissão sustentada do vírus em áreas da América do Sul fora dos focos tradicionais da bacia amazônica. Nas primeiras sete semanas do ano, foram confirmados 34 casos humanos e 15 mortes em Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela. A agência destaca que a identificação de infecções em regiões sem histórico recente de circulação reforça a necessidade de vigilância contínua e ampla cobertura vacinal.

Situação dos casos em 2026

Segundo o informe, o vírus foi detectado em localidades onde não se registrava transmissão há anos. Entre os exemplos citados estão o estado de São Paulo, no Brasil, e o departamento de Tolima, na Colômbia. Casos fora das zonas costumeiras vêm sendo notificados desde setembro de 2024, o que motivou a Opas a renovar orientações a todos os Estados-membros.

A febre amarela mantém um ciclo silvestre periódico na região, envolvendo mosquitos vetores e primatas não humanos. Esse processo é considerado esperado nas florestas tropicais, porém a chegada de infecções a áreas próximas a centros urbanos amplia o risco de expansão por via Aedes aegypti e, consequentemente, de surtos urbanos de rápida disseminação.

Recomendações imediatas

O documento orienta que os países fortaleçam a vigilância epidemiológica e a notificação de epizootias em macacos, pois a ocorrência da doença nesses animais costuma anteceder casos em humanos. Também recomenda:

  • campanhas de vacinação com meta mínima de 95% de cobertura nas populações expostas;
  • manutenção de estoques estratégicos de vacinas para resposta rápida a surtos;
  • reforço de sistemas de detecção precoce e de manejo clínico oportuno de formas graves;
  • informação a viajantes que se dirigem a áreas com recomendação de imunização, devendo a dose ser aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem.

Números do ano anterior

Em 2025, a América Latina registrou 346 casos confirmados e 143 óbitos distribuídos por sete países:

  • Bolívia: 8 casos, 2 mortes;
  • Brasil: 120 casos, 48 mortes;
  • Colômbia: 125 casos, 46 mortes;
  • Equador: 11 casos, 8 mortes;
  • Guiana: 1 morte;
  • Peru: 49 casos, 19 mortes;
  • Venezuela: 32 casos, 19 mortes.

Com aumento de ocorrências, elevada taxa de letalidade — estimada em 41% no ano passado — e registros em áreas inéditas, a Opas manteve a classificação de risco geral para a saúde pública nas Américas em nível alto.

Opas alerta para transmissão contínua de febre amarela em novos pontos da América do Sul - Imagem do artigo original

Imagem: meio do mosquito Aedes aegypti

Perfil da doença e prevenção

A febre amarela é uma infecção viral transmitida por mosquitos. Nos casos graves, pode provocar hemorragias, insuficiência orgânica e morte. Não há tratamento específico; a prevenção depende principalmente da vacina, cuja dose única confere proteção ao longo da vida. A maior parte dos casos em 2025 e 2026 ocorreu entre pessoas não vacinadas, fato que, segundo a Opas, reforça a importância de campanhas regulares e da atualização dos registros de imunização.

A agência recomenda ainda intensificar ações de controle de vetores, especialmente em zonas periurbanas, para limitar a presença de Aedes aegypti. Paralelamente, o monitoramento de primatas doentes ou mortos deve ser incorporado aos sistemas de alerta, pois serve como indicativo precoce de circulação viral.

Perspectivas para os próximos meses

Com a aproximação de períodos de maior atividade de mosquitos em vários países sul-americanos, a Opas avalia que a probabilidade de novos focos permanece. A combinação de populações suscetíveis, mobilidade de pessoas e circulação do vírus em regiões densamente povoadas exige resposta coordenada entre autoridades sanitárias nacionais e locais. A agência reafirma que assegurar alta cobertura vacinal é a principal medida para evitar expansão da doença e reduzir a mortalidade.

Crédito da imagem: OMS/A. Costa

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