Recomendações imediatas
O documento orienta que os países fortaleçam a vigilância epidemiológica e a notificação de epizootias em macacos, pois a ocorrência da doença nesses animais costuma anteceder casos em humanos. Também recomenda:
- campanhas de vacinação com meta mínima de 95% de cobertura nas populações expostas;
- manutenção de estoques estratégicos de vacinas para resposta rápida a surtos;
- reforço de sistemas de detecção precoce e de manejo clínico oportuno de formas graves;
- informação a viajantes que se dirigem a áreas com recomendação de imunização, devendo a dose ser aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem.
Números do ano anterior
Em 2025, a América Latina registrou 346 casos confirmados e 143 óbitos distribuídos por sete países:
- Bolívia: 8 casos, 2 mortes;
- Brasil: 120 casos, 48 mortes;
- Colômbia: 125 casos, 46 mortes;
- Equador: 11 casos, 8 mortes;
- Guiana: 1 morte;
- Peru: 49 casos, 19 mortes;
- Venezuela: 32 casos, 19 mortes.
Com aumento de ocorrências, elevada taxa de letalidade — estimada em 41% no ano passado — e registros em áreas inéditas, a Opas manteve a classificação de risco geral para a saúde pública nas Américas em nível alto.
Imagem: meio do mosquito Aedes aegypti
Perfil da doença e prevenção
A febre amarela é uma infecção viral transmitida por mosquitos. Nos casos graves, pode provocar hemorragias, insuficiência orgânica e morte. Não há tratamento específico; a prevenção depende principalmente da vacina, cuja dose única confere proteção ao longo da vida. A maior parte dos casos em 2025 e 2026 ocorreu entre pessoas não vacinadas, fato que, segundo a Opas, reforça a importância de campanhas regulares e da atualização dos registros de imunização.
A agência recomenda ainda intensificar ações de controle de vetores, especialmente em zonas periurbanas, para limitar a presença de Aedes aegypti. Paralelamente, o monitoramento de primatas doentes ou mortos deve ser incorporado aos sistemas de alerta, pois serve como indicativo precoce de circulação viral.
Perspectivas para os próximos meses
Com a aproximação de períodos de maior atividade de mosquitos em vários países sul-americanos, a Opas avalia que a probabilidade de novos focos permanece. A combinação de populações suscetíveis, mobilidade de pessoas e circulação do vírus em regiões densamente povoadas exige resposta coordenada entre autoridades sanitárias nacionais e locais. A agência reafirma que assegurar alta cobertura vacinal é a principal medida para evitar expansão da doença e reduzir a mortalidade.
Crédito da imagem: OMS/A. Costa