A fala do prefeito ocorre poucos dias antes do anúncio previsto pelo Ministério da Saúde sobre possíveis atualizações na lista de medicamentos fornecidos pelo SUS. De acordo com Paes, a expectativa é de que o ministério apresente, na próxima terça-feira, posição oficial sobre a adoção ou não de agonistas do receptor GLP-1 no sistema público. Até o momento, a pasta não confirmou se o Ozempic será incluído em nível federal.
O que é o Ozempic
O Ozempic é o nome comercial da semaglutida, integrante da classe dos agonistas do receptor de peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1). Originalmente desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2, o medicamento auxilia no controle glicêmico e, como efeito adicional, promove redução de peso. Nos últimos anos, essa característica levou à ampliação do uso para pacientes com obesidade ou sobrepeso, sempre sob prescrição médica.
Além da semaglutida, pertencem ao mesmo grupo terapêutico a dulaglutida, a liraglutida e a tirzepatida, todas conhecidas popularmente como “canetas emagrecedoras” em razão da apresentação em dispositivo de aplicação subcutânea. A atuação conjunta nos centros de saciedade do sistema nervoso central e no retardo do esvaziamento gástrico contribui para diminuir a ingestão calórica e melhorar parâmetros metabólicos.
Demanda crescente na rede pública
Segundo a Prefeitura do Rio, a procura por alternativas farmacológicas para obesidade e diabetes avançou de forma expressiva nos últimos meses, pressionando as unidades básicas de saúde. Dados municipais citados pelo prefeito indicam aumento consistente de atendimentos relacionados ao tema, o que motivou estudos internos sobre viabilidade financeira e logística para distribuir o Ozempic.
A Semsa (Secretaria Municipal de Saúde) avalia que a disponibilização do medicamento poderá contribuir para diminuir complicações clínicas de longo prazo, como doenças cardiovasculares, internações e amputações decorrentes do diabetes mal controlado. A pasta acrescenta, porém, que o emprego do fármaco exige monitoramento frequente de peso, glicemia, função renal e possíveis efeitos adversos.
Próximos passos
Com o início da oferta municipal previsto para a próxima semana, a Secretaria de Saúde do Rio deve publicar protocolo específico indicando critérios de elegibilidade, dosagem e acompanhamento. A aquisição inicial será direcionada ao Super Centro da Zona Oeste, mas a prefeitura planeja expandir para outras unidades à medida que novos lotes sejam entregues pelos fornecedores.
No âmbito federal, o Ministério da Saúde estuda as evidências disponíveis e o impacto orçamentário antes de decidir sobre a inclusão em toda a rede do SUS. Caso a medida seja confirmada, estados e municípios poderão receber repasses para compra ou terão acesso a pregões unificados, o que, em tese, reduz o valor por unidade.
Enquanto aguarda a definição do governo federal, a prefeitura reforça campanhas de orientação para que pacientes não interrompam tratamentos convencionais de controle glicêmico e busquem avaliação profissional antes de iniciar o Ozempic. A equipe municipal também alerta para a importância de associar a medicação a hábitos saudáveis de alimentação e prática regular de atividade física, conforme diretrizes clínicas já existentes.
O anúncio de Eduardo Paes soma-se a iniciativas de outras capitais que analisam a adoção de agonistas de GLP-1 na assistência básica. Especialistas apontam que a decisão federal, esperada para os próximos dias, poderá estabelecer um marco na política pública de enfrentamento ao diabetes e à obesidade no Brasil.
Crédito da imagem: REUTERS/Hollie Adams