Calendário de vacinação
O Programa Nacional de Imunizações mantém a vacina contra sarampo como parte do esquema de rotina. A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade, seguida por um reforço aos 15 meses. Para pessoas que não dispõem de comprovante de vacinação na infância, o Ministério da Saúde recomenda duas doses com intervalo mínimo de 30 dias para quem tem entre 5 e 29 anos. Adultos de 30 a 59 anos necessitam de uma dose única.
Especialistas ressaltam que a cobertura vacinal adequada é essencial para impedir a reintrodução do vírus no país. A ampliação da circulação de pessoas entre fronteiras e a presença de bolsões de não vacinados aumentam o risco de ocorrências importadas evoluírem para surtos locais, caso a população não esteja protegida.
Características da doença
O sarampo é uma infecção viral aguda caracterizada por febre, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. O Ministério da Saúde destaca que o agente causador possui alta capacidade de transmissão: uma pessoa infectada pode contaminar até 90% dos contatos próximos que não possuam imunidade. O período de transmissão se estende de seis dias antes até quatro dias após o aparecimento do exantema.
A disseminação ocorre por via aérea, por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou simplesmente respirar. Devido à semelhança inicial com outras viroses, a identificação precoce depende de vigilância ativa e notificação imediata das suspeitas às autoridades sanitárias, permitindo a adoção de bloqueios vacinais e rastreamento de contatos.
Alerta regional
Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu comunicado direcionado aos países das Américas, chamando atenção para o aumento expressivo no número de casos na região. Entre 2024 e 2025 foi observada elevação de 32 vezes nos registros de sarampo no continente, cenário que levou o órgão a recomendar intensificação das coberturas vacinais e fortalecimento da vigilância epidemiológica.
O Ministério da Saúde informou que segue monitorando possíveis ocorrências relacionadas ao caso paulista, bem como fluxos de viajantes oriundos de áreas onde há transmissão ativa do vírus. Equipes de vigilância localizadas em portos, aeroportos e fronteiras terrestres foram orientadas a manter alerta contínuo para sintomas compatíveis, a fim de reduzir o risco de disseminação comunitária.
Ações de bloqueio
Após a confirmação laboratorial, a Secretaria de Saúde de São Paulo conduziu ações de bloqueio vacinal no entorno da residência da criança, além de verificar o estado vacinal de familiares e demais contatos. A aplicação de doses de bloqueio é indicada em até 72 horas após a exposição, buscando interromper possíveis cadeias de transmissão.
Autoridades sanitárias reforçam que a apresentação de cartão de vacinação atualizado continua sendo exigência para matrícula escolar e recomendação para viagens internacionais. O Ministério da Saúde mantém estoques da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, disponíveis em todas as unidades básicas de saúde do país.
Com o primeiro caso confirmado em 2026, os órgãos de saúde estaduais e federais reiteram a importância de que pais e responsáveis verifiquem a situação vacinal das crianças, sobretudo antes de viagens ao exterior. A medida visa evitar novos episódios importados e preservar o status de eliminação da circulação endêmica do vírus obtido pelo Brasil em 2016.
Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo