Bebê de seis meses registra primeiro caso de sarampo em São Paulo em 2026

Um bebê de seis meses é o primeiro paciente confirmado com sarampo no estado de São Paulo em 2026, informou a Secretaria de Estado da Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, trata-se também do primeiro caso da doença no país neste ano. A criança, uma menina que ainda não havia recebido a imunização recomendada, esteve na Bolívia em janeiro e apresentou sintomas após retornar ao Brasil. O diagnóstico foi confirmado por exames laboratoriais realizados em fevereiro.

Confirmação laboratorial e histórico de importação

A pasta estadual explicou que o registro foi classificado como caso importado, pois a provável infecção ocorreu fora do território nacional. O deslocamento internacional da família aconteceu poucas semanas antes da manifestação dos sintomas, fato que direcionou a investigação epidemiológica para a possibilidade de contágio no exterior. Em 2025, o estado havia contabilizado apenas dois episódios de sarampo, ambos também relacionados a viagens internacionais.

Em âmbito nacional, o ministério confirmou 38 ocorrências da doença ao longo de 2025. Os casos se distribuíram por Distrito Federal (1), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1), Tocantins (25), Maranhão (1) e Mato Grosso (6). Não houve registro de transmissão sustentada em território brasileiro naquele ano, e todos os episódios foram vinculados a importações ou contatos diretos com viajantes infectados.

Calendário de vacinação

O Programa Nacional de Imunizações mantém a vacina contra sarampo como parte do esquema de rotina. A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade, seguida por um reforço aos 15 meses. Para pessoas que não dispõem de comprovante de vacinação na infância, o Ministério da Saúde recomenda duas doses com intervalo mínimo de 30 dias para quem tem entre 5 e 29 anos. Adultos de 30 a 59 anos necessitam de uma dose única.

Especialistas ressaltam que a cobertura vacinal adequada é essencial para impedir a reintrodução do vírus no país. A ampliação da circulação de pessoas entre fronteiras e a presença de bolsões de não vacinados aumentam o risco de ocorrências importadas evoluírem para surtos locais, caso a população não esteja protegida.

Características da doença

O sarampo é uma infecção viral aguda caracterizada por febre, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. O Ministério da Saúde destaca que o agente causador possui alta capacidade de transmissão: uma pessoa infectada pode contaminar até 90% dos contatos próximos que não possuam imunidade. O período de transmissão se estende de seis dias antes até quatro dias após o aparecimento do exantema.

A disseminação ocorre por via aérea, por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou simplesmente respirar. Devido à semelhança inicial com outras viroses, a identificação precoce depende de vigilância ativa e notificação imediata das suspeitas às autoridades sanitárias, permitindo a adoção de bloqueios vacinais e rastreamento de contatos.

Alerta regional

Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu comunicado direcionado aos países das Américas, chamando atenção para o aumento expressivo no número de casos na região. Entre 2024 e 2025 foi observada elevação de 32 vezes nos registros de sarampo no continente, cenário que levou o órgão a recomendar intensificação das coberturas vacinais e fortalecimento da vigilância epidemiológica.

Bebê de seis meses registra primeiro caso de sarampo em São Paulo em 2026 - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

O Ministério da Saúde informou que segue monitorando possíveis ocorrências relacionadas ao caso paulista, bem como fluxos de viajantes oriundos de áreas onde há transmissão ativa do vírus. Equipes de vigilância localizadas em portos, aeroportos e fronteiras terrestres foram orientadas a manter alerta contínuo para sintomas compatíveis, a fim de reduzir o risco de disseminação comunitária.

Ações de bloqueio

Após a confirmação laboratorial, a Secretaria de Saúde de São Paulo conduziu ações de bloqueio vacinal no entorno da residência da criança, além de verificar o estado vacinal de familiares e demais contatos. A aplicação de doses de bloqueio é indicada em até 72 horas após a exposição, buscando interromper possíveis cadeias de transmissão.

Autoridades sanitárias reforçam que a apresentação de cartão de vacinação atualizado continua sendo exigência para matrícula escolar e recomendação para viagens internacionais. O Ministério da Saúde mantém estoques da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, disponíveis em todas as unidades básicas de saúde do país.

Com o primeiro caso confirmado em 2026, os órgãos de saúde estaduais e federais reiteram a importância de que pais e responsáveis verifiquem a situação vacinal das crianças, sobretudo antes de viagens ao exterior. A medida visa evitar novos episódios importados e preservar o status de eliminação da circulação endêmica do vírus obtido pelo Brasil em 2016.

Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

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