O Cuidando em Casa conta com financiamento do governo federal, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, a iniciativa se insere em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da rede de proteção social. O objetivo, destacou, é ampliar a autonomia de pessoas idosas e, paralelamente, aliviar a sobrecarga de quem assume a responsabilidade cotidiana pelo cuidado — função que recai, majoritariamente, sobre mulheres.
A fase experimental em três cidades deve fornecer dados para ajustes e posterior expansão do serviço. A secretária nacional de Cuidados e Família da pasta, Laís Abramo, explicou que o país vive um processo acelerado de envelhecimento e precisa incorporar o atendimento domiciliar de maneira estruturada à proteção social básica. “A experiência permitirá aperfeiçoar modelos, protocolos e fluxos, garantindo que o serviço se torne política pública permanente”, observou.
Fortaleza abriga cerca de 365 mil pessoas idosas, equivalentes a 15% de sua população total. De acordo com informações da prefeitura, 65% delas enfrentam algum grau de vulnerabilidade socioeconômica. Nesse contexto, o novo programa pretende atuar não apenas sobre os beneficiários diretos, mas também sobre quem presta cuidado. A coordenadora especial da Pessoa Idosa do município, Vejuse Alencar, ressalta que grande parte dos cuidadores também é composta por mulheres idosas, sobre quem recai uma carga de trabalho que pode ultrapassar 20 horas diárias.
As ações serão executadas de forma multidisciplinar, envolvendo Unidades Básicas de Saúde, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e outros equipamentos públicos. Entre as atividades previstas estão avaliações clínicas, orientações sobre medicação, estímulo à mobilidade, adequações no domicílio para prevenir acidentes e encaminhamentos a serviços especializados quando necessário. Paralelamente, serão oferecidas rodas de conversa e apoio psicossocial a cuidadores, com foco em saúde mental e em estratégias de descanso.
Representantes municipais destacam que o êxito do piloto poderá gerar economia ao sistema público. A expectativa é diminuir internações provocadas por complicações evitáveis, como desidratação, lesões por queda ou infecções decorrentes de falta de higiene adequada. A prevenção, argumentam, tende a custar menos que tratamentos hospitalares prolongados.
Em Juazeiro, na região norte da Bahia, e em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, a metodologia seguirá parâmetros semelhantes aos adotados no Ceará. Os critérios para seleção dos 300 contemplados em cada localidade incluem renda familiar, condições de moradia, limitações funcionais e ausência de rede de apoio. Equipes municipais já estão em fase de mapeamento dos domicílios prioritários e de capacitação dos profissionais que atuarão no projeto.
Depois de 12 meses de execução, os parceiros institucionais deverão apresentar relatório de resultados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Indicadores como melhoria do estado de saúde, redução de internações e diminuição da carga horária de cuidados familiares serão analisados para subsidiar possíveis ajustes. Caso os objetivos sejam alcançados, o Cuidando em Casa poderá ser replicado em outras regiões do país, integrando-se de forma definitiva à rede de serviços voltados à população idosa.
Crédito da imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil