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Satisfação com o SUS avança e supera média regional, indica pesquisa da OCDE

A proporção de brasileiros satisfeitos com o Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu de 34% para 45% entre 2022 e 2025, apontou a pesquisa “Confiança em Instituições Públicas na América Latina e no Caribe”, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O avanço de 9 pontos percentuais colocou o índice nacional acima da média latino-americana, que chegou a 40% no mesmo período.

Segundo o Ministério da Saúde, o resultado reflete a ampliação do acesso da população a serviços oferecidos pela rede pública, com destaque para o programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa, criada para reduzir filas de atendimentos de alta complexidade, registrou, de acordo com a pasta, marca histórica na oferta de consultas e procedimentos especializados.

Entre as estatísticas divulgadas, chama atenção o crescimento superior a 40% no número de cirurgias eletivas concluídas em três anos. O total de procedimentos passou de 10,8 milhões, em 2022, para 14,7 milhões, em 2025 — o maior volume alcançado em 35 anos e superior ao registrado no período pré-pandemia.

O ministério informou ainda que pacientes da rede pública estão sendo atendidos de forma complementar por planos de saúde, hospitais e clínicas privadas. Até o momento, mais de R$ 200 milhões em cirurgias e exames foram contratualizados com a rede privada para reforçar a assistência prestada pelo SUS e reduzir a demanda reprimida por atendimento especializado.

Além da percepção positiva sobre o sistema de saúde, a pesquisa da OCDE avaliou outras dimensões dos serviços públicos. O levantamento apurou que a sensação de melhora no acesso e na qualidade dos serviços públicos em geral avançou 18 pontos percentuais entre 2022 e 2025, passando de 24% para 42% no Brasil. O resultado ficou dez pontos acima da média latino-americana, calculada em 32%.

Metodologia da pesquisa

Considerado referência internacional de boas práticas, o estudo da OCDE utiliza um questionário aplicado a 2 000 participantes em cada país para medir confiança em instituições públicas. A metodologia classificada como “padrão ouro” observa cinco pilares: integridade, capacidade de resposta, confiabilidade, abertura e equidade. O recorte voltado a sistemas de saúde compara como a população avalia oferta, agilidade e transparência de serviços, possibilitando análises globais e formulação de políticas de aprimoramento.

No caso brasileiro, os autores destacam que o aumento na satisfação com o SUS ocorreu paralelamente à expansão de programas de atendimento especializado e à contratação de serviços privados para reduzir filas. Esses fatores, segundo o Ministério da Saúde, contribuíram para resultados inéditos em produção cirúrgica e para a melhora na percepção de eficiência do sistema.

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Imagem: Radar da Saúde

A pasta acrescentou que, além do investimento em procedimentos de média e alta complexidade, outras estratégias foram implementadas para ampliar o alcance do SUS. Entre elas estão a digitalização de prontuários, ações de telemedicina e a descentralização de recursos para estados e municípios. Embora não detalhadas na pesquisa, essas iniciativas são citadas como complementares ao esforço de aumentar resolutividade e reduzir tempo de espera.

O estudo da OCDE também servirá, de acordo com o governo federal, como subsídio para novas políticas focadas em transparência e qualidade no serviço público. A coleta de dados comparáveis entre países permite avaliar tendências regionais e monitorar a eficácia de programas adotados em diferentes contextos.

Pela primeira vez desde que o indicador começou a ser monitorado, o Brasil apresentou crescimento simultâneo nos índices de satisfação com saúde e com serviços públicos em geral. Para especialistas do ministério, o resultado reforça a importância de manter investimentos voltados à redução de desigualdades de acesso, um dos princípios que orientam o SUS.

A pesquisa “Confiança em Instituições Públicas na América Latina e no Caribe” é atualizada periodicamente e compõe uma série de estudos elaborados pela OCDE para medir percepção cidadã sobre serviços governamentais. Os relatórios completos ficam disponíveis no portal da organização, com comparativos por país e por área de política pública.

Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil