Na sequência, Padilha reuniu-se com executivos da Mindray, considerada a maior fabricante chinesa de equipamentos hospitalares. As discussões concentraram-se na oferta de monitores multiparâmetros, ventiladores e equipamentos para unidades de terapia intensiva (UTIs), além da integração desses dispositivos a plataformas digitais baseadas em IA. Hoje, a Mindray atende mais de seis mil instituições de saúde no Brasil e possui 353 produtos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Durante o encontro, foram exploradas possibilidades de parcerias para desenvolvimento produtivo (PDPs) com instituições públicas brasileiras, modelo que combina pesquisa conjunta, inovação e transferência de tecnologia com vistas à produção local.
Outra etapa da agenda ocorreu com representantes da Huawei. A pauta concentrou-se em infraestrutura de conectividade, computação em nuvem e soluções de armazenamento seguro de dados de saúde. A companhia apresentou propostas para ampliar a cobertura de rede em unidades remotas, conectar sistemas de informação hospitalar e possibilitar a aplicação de algoritmos de IA em grande escala. Conforme o ministério, a construção de backbone digital robusto é considerada essencial para a operação da futura rede inteligente, uma vez que permitirá acesso em tempo real a exames, prontuários e protocolos clínicos em todo o território nacional.
O governo avalia que a combinação de novas fábricas, parcerias de pesquisa e infraestrutura de TI pode impulsionar a digitalização de serviços, melhorar a gestão hospitalar e acelerar diagnósticos em ambientes de atenção primária, especializada e de alta complexidade. Com interfaces de IA, pretende-se otimizar processos como regulação de leitos, triagem de pacientes e priorização de atendimentos, reduzindo filas e tempos de espera. A integração de dados clínicos, por sua vez, deve facilitar o monitoramento epidemiológico e o planejamento de políticas públicas baseadas em evidências.
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A estratégia também prevê etapas de capacitação de profissionais de saúde para o uso de novas ferramentas digitais, atualização de protocolos de segurança cibernética e colaboração com universidades e institutos tecnológicos brasileiros. Segundo a pasta, a incorporação de soluções de IA ocorrerá de forma gradual, em consonância com padrões éticos de proteção de dados e com a legislação nacional de privacidade.
Embora ainda não haja cronograma oficial para o início das operações da rede inteligente do SUS, o Ministério da Saúde avalia que as tratativas na China representam avanço significativo na mobilização de recursos técnicos e financeiros. As definições finais sobre volume de investimentos, locais de implantação de fábricas e cronogramas de entrega de equipamentos dependerão de negociações adicionais, ajustes regulatórios e aprovação de órgãos competentes no Brasil.
As reuniões em Shenzhen integram uma agenda mais ampla de cooperação internacional do governo na área da saúde. Além das parcerias tecnológicas, o ministério busca fortalecer cadeias produtivas locais, estimular a inovação em dispositivos médicos e ampliar o acesso da população a serviços de alta resolutividade. O objetivo declarado é tornar o SUS cada vez mais digital, integrado e eficiente, sem abrir mão da universalidade e gratuidade que caracterizam o sistema público brasileiro.
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