Para viabilizar a compra do medicamento, o ministério investiu R$ 970 mil. Até o momento, 64.800 doses já foram entregues e o primeiro envio contemplou o DSEI Yanomami, que recebeu 14.550 comprimidos. A mesma região havia sido pioneira, em 2024, na utilização da formulação de 150 mg destinada a pacientes adultos.
De acordo com a orientação técnica do órgão, a tafenoquina pediátrica deve ser utilizada em pessoas diagnosticadas com malária causada pelo Plasmodium vivax, com peso mínimo de 10 kg, que não estejam grávidas nem amamentando. A recomendação inclui ajuste de dosagem conforme o peso corporal da criança, medida que, segundo a pasta, favorece a eficácia clínica e reduz o risco de novos episódios da infecção.
Antes da incorporação desse esquema, o tratamento padrão contra a malária vivax exigia até 14 dias de uso contínuo de medicamentos, fator que impactava a permanência dos pacientes no protocolo, sobretudo entre o público infantil. A conversão para dose única amplia, na avaliação do ministério, o conforto de cuidadores e profissionais de saúde, além de reforçar a estratégia de eliminação do parasita no organismo.
O Ministério da Saúde relata que o uso da nova formulação contribui para interromper a cadeia de transmissão, uma vez que diminui a probabilidade de recaídas e, consequentemente, a circulação do protozoário nos vetores. A iniciativa integra um conjunto de ações que inclui intensificação do controle vetorial, aplicação de testes rápidos, busca ativa de casos e monitoramento permanente da enfermidade em regiões de difícil acesso.
Dados oficiais indicam que, entre 2023 e 2025, o território Yanomami registrou avanço de 103,7% no número de testes realizados e aumento de 116,6% nos diagnósticos, ao mesmo tempo em que observou queda de 70% nos óbitos relacionados à malária. Em escala nacional, 2025 fechou com 120.659 casos, o menor patamar desde 1979 e 15% inferior ao total de 2024.
Na Amazônia, responsável por 99% das ocorrências, foram notificados 117.879 episódios no ano passado. Entre as populações indígenas de todo o país, houve retração de 16% nos registros no mesmo período, reflexo de políticas que combinam tratamento adequado, vigilância e distribuição de insumos para prevenção.
A pasta informa que continuará monitorando a efetividade da tafenoquina pediátrica e dos demais instrumentos de controle, além de avaliar a necessidade de novas aquisições para atender a variações na demanda. A expectativa é de que o modelo em dose única fortaleça a resposta brasileira ao desafio histórico da malária, sobretudo em áreas rurais, ribeirinhas e comunidades indígenas que concentram as maiores taxas de transmissão.
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