O atendimento é gratuito e confidencial. Todas as informações dos usuários seguem o que determina a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), informou o Ministério da Saúde.
Como acessar o serviço
Para participar, a pessoa interessada deve baixar o aplicativo Meu SUS Digital, disponível nas lojas Android, iOS e em versão web. Após o login com a conta gov.br, basta acessar a seção “Miniapps” e selecionar “Problemas com jogos de apostas?”. Nessa área, o usuário preenche um autoteste baseado em evidências científicas, validado no Brasil, que identifica sinais de risco para o transtorno.
Nos casos classificados como risco moderado ou elevado, o encaminhamento ao teleatendimento ocorre automaticamente. Quando o resultado aponta menor risco, a orientação é procurar unidades presenciais da RAPS, que incluem CAPS e Unidades Básicas de Saúde (UBS). Dentro do aplicativo, estão disponíveis materiais informativos sobre prevenção, impactos na saúde mental e sinais de alerta relacionados às apostas.
Além do app, a Ouvidoria do SUS também oferece orientações pelo telefone 136, via formulário on-line, WhatsApp ou chatbot no portal do ministério. Equipes foram treinadas para acolher e direcionar usuários que buscam ajuda nessa temática.
Perdas econômicas e baixa procura presencial
Estudo recente citado pela pasta estima em R$ 38,8 bilhões anuais as perdas econômicas e sociais associadas às chamadas “bets” no país. Apesar do impacto, a procura espontânea por atendimento presencial é considerada baixa, muitas vezes por vergonha, receio de julgamento ou dificuldade de reconhecer o problema. O formato virtual foi desenvolvido justamente para ampliar o acesso de forma reservada, segura e sem barreiras geográficas.
Capacitação de profissionais
Para garantir a qualidade do novo serviço, o ministério firmou parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para capacitar profissionais de saúde. Foram disponibilizadas 20 mil vagas em curso específico sobre manejo da compulsão por apostas. Até o momento, 13 mil trabalhadores se inscreveram e 1,5 mil já concluíram a formação. Restam 7 mil vagas, e a pasta avalia abrir novas turmas diante da demanda.
O teleatendimento integra a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que abrange ainda orientações clínicas reunidas em guia produzido pelo Ministério da Saúde.
Autoexclusão de sites de apostas
Outra frente do governo federal para enfrentar o vício em jogos é a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, disponível desde dezembro. Por meio da ferramenta, o usuário pode solicitar o bloqueio do próprio CPF em sites de apostas, escolher a duração de dois meses, seis meses ou tempo indeterminado e impedir o recebimento de publicidade do setor. O cadastro requer conta gov.br de nível prata ou ouro.
Segundo Padilha, mais de 300 mil pessoas já utilizaram a plataforma e optaram pela autoexclusão, sendo a maioria por prazo indeterminado. O cruzamento dos dados com o Cartão SUS permite identificar indivíduos em situação de risco e encaminhá-los rapidamente para atendimento na rede pública.
Com o teleatendimento, a capacitação de profissionais e a ferramenta de autoexclusão, o Ministério da Saúde busca oferecer respostas coordenadas ao crescimento dos transtornos ligados a apostas online, ampliando o acolhimento gratuito, especializado e acessível em todo o território nacional.
Crédito da imagem: Rafael Nascimento/MS