SUS inicia oferta de anticorpo contra bronquiolite para bebês prematuros e com comorbidades
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar, neste mês, o nirsevimabe para bebês prematuros e crianças com comorbidades até dois anos de idade. O anticorpo monoclonal tem como alvo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal agente etiológico da bronquiolite e responsável por elevadas taxas de hospitalização em menores de dois anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, o nirsevimabe oferece proteção passiva imediata. Por se tratar de um anticorpo pronto, o medicamento não depende da resposta imune do organismo para atuar, característica que o diferencia das vacinas tradicionais, cuja eficácia se baseia na produção de anticorpos pelo próprio corpo.
Faixas contempladas
São considerados prematuros todos os bebês nascidos antes de completar 37 semanas de gestação. Dentro da população elegível, o imunizante também é indicado para crianças com doenças que elevam o risco de complicações respiratórias. Entre essas condições estão doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunodeficiências graves — de origem inata ou adquirida — e síndrome de Down.
Para atender ao público-alvo, o Ministério da Saúde informou que 300 mil doses já foram distribuídas às secretarias estaduais de saúde. A quantidade é considerada suficiente para a primeira fase da estratégia, que ocorre durante a temporada de maior circulação do VSR.
Contexto epidemiológico
Dados oficiais apontam que o VSR responde por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos quadros de pneumonia em crianças com menos de dois anos. Entre 1º de janeiro e 22 de novembro de 2025, o país registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocados pelo vírus. Desse total, mais de 35,5 mil ocorrências — equivalente a 82,5% — envolveram pacientes com menos de dois anos, grupo que apresenta maior vulnerabilidade a complicações.
Embora a maioria dos episódios de bronquiolite seja leve, quadros graves exigem internação para suporte respiratório. O tratamento disponível é de caráter sintomático e inclui oxigenoterapia, hidratação e uso de broncodilatadores quando há chiado intenso. A ausência de terapias antivirais específicas reforça a importância de medidas preventivas, sobretudo entre crianças prematuras e portadoras de doenças crônicas.
Proteção desde a gestação
Antes da introdução do nirsevimabe para bebês, o SUS já oferecia imunização contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana. A estratégia de vacinar a mãe confere anticorpos ao feto, ampliando a proteção logo após o nascimento. Agora, com a chegada do anticorpo monoclonal, o Ministério da Saúde amplia a cobertura, contemplando recém-nascidos que, por prematuridade ou condições clínicas, mantêm risco elevado mesmo após o período neonatal.
Imagem: Radar da Saúde
Distribuição e acesso
A logística de entrega segue os mesmos critérios aplicados a outros imunobiológicos do Programa Nacional de Imunizações (PNI). As secretarias estaduais são responsáveis por repassar os lotes aos municípios, que disponibilizam o produto em unidades básicas de saúde e serviços de referência em neonatologia e pediatria. O ministério recomenda que pais ou responsáveis apresentem documento de identificação da criança, cartão de vacinação e relatório médico que comprove a condição de risco, quando aplicável.
O esquema de aplicação consiste em dose única, administrada por via intramuscular. Segundo a pasta da Saúde, a proteção se estende por cerca de cinco meses, cobrindo o período de maior circulação do vírus. Caso a criança permaneça dentro do grupo de risco na temporada seguinte, nova dose poderá ser indicada, seguindo avaliação clínica.
Perspectivas
A incorporação do nirsevimabe representa mais um passo na política de redução de internações pediátricas por infecções respiratórias. Ao concentrar esforços nos grupos mais vulneráveis — prematuros e crianças com comorbidades —, o Ministério da Saúde busca minimizar a pressão sobre os serviços hospitalares durante o outono e o inverno, quando os atendimentos por bronquiolite costumam aumentar.
Crédito da imagem: João Risi/MS