Ubá registra primeira morte por leptospirose após enchentes de fevereiro

A Secretaria Municipal de Saúde de Ubá, na Zona da Mata mineira, confirmou nesta quarta-feira (11) o primeiro óbito por leptospirose relacionado às enchentes que atingiram a cidade no fim de fevereiro. A vítima era uma mulher com idade entre 30 e 35 anos. O caso reforça a preocupação das autoridades locais com doenças transmitidas pela exposição a água ou lama contaminadas, situação comum em cenários de alagamentos.

Segundo informações do órgão municipal, além da morte, 41 pacientes com suspeita de leptospirose foram notificados e permanecem sob investigação epidemiológica. Amostras biológicas coletadas desses moradores foram encaminhadas à Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, laboratório de referência estadual que deverá confirmar ou descartar a presença da infecção.

A leptospirose é causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de roedores, sobretudo ratos. Durante enchentes, o contato de pessoas com água ou lama contaminadas facilita a penetração da bactéria pela pele lesionada ou por mucosas. A secretaria lembra que, embora muitas ocorrências tenham caráter leve, a doença pode evoluir rapidamente e levar a complicações graves, como insuficiência renal e hemorragias.

As equipes de vigilância em saúde de Ubá mantêm ações de controle de roedores, distribuindo insumos de limpeza e orientando moradores de áreas mais atingidas pelos alagamentos. Profissionais de atenção básica também fazem visitas domiciliares para identificar precocemente eventuais sintomas. A pasta municipal destacou que os seguintes sinais merecem atenção imediata:

  • febre persistente;
  • dor de cabeça intensa;
  • dores musculares generalizadas, principalmente nas panturrilhas;
  • náuseas e episódios de vômito.

Ao perceber qualquer desses sintomas, a recomendação é procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação clínica. Situações de agravamento, como icterícia ou dificuldades respiratórias, exigem busca imediata por atendimento hospitalar.

A morte confirmada nesta quarta-feira ocorre duas semanas após as chuvas que castigaram a Zona da Mata. Entre 20 e 23 de fevereiro, precipitações acima da média provocaram deslizamentos de terra, transbordamento de rios e destruição de residências. De acordo com balanço da Defesa Civil estadual, 72 pessoas morreram em decorrência dos eventos climáticos: 65 em Juiz de Fora e 7 em Ubá. Além das vítimas fatais, milhares de moradores ficaram desalojados ou perderam totalmente suas casas.

Em Ubá, a inundação afetou bairros inteiros, interrompeu o fornecimento de água potável em alguns setores e danificou a rede de esgoto, aumentando o risco de contaminações. A prefeitura montou abrigos temporários em escolas e ginásios, onde seguem alojadas famílias que ainda não puderam retornar às residências. Equipes de assistência social distribuem kits de higiene e alimentos não perecíveis.

Ubá registra primeira morte por leptospirose após enchentes de fevereiro - Radar da Saúde

Imagem: Radar da Saúde

A Secretaria de Saúde planeja intensificar a vacinação contra hepatite A, tétano e febre tifoide entre a população atingida, medidas consideradas importantes para reduzir a incidência de doenças relacionadas a enchentes. A pasta também solicitou apoio do governo estadual para aquisição de soros e antibióticos usados no tratamento da leptospirose.

Até que os resultados laboratoriais sejam concluídos, a vigilância epidemiológica continuará monitorando todos os notificados, realizando coleta de novas amostras quando necessário. As autoridades reforçam que a adoção de medidas simples, como o uso de botas e luvas durante a limpeza de imóveis alagados, evita a exposição direta à lama potencialmente infectada. Manter alimentos guardados em recipientes fechados e descartar produtos que tenham tido contato com a enchente são outras orientações.

O governo municipal informou ainda que repassará boletins atualizados sobre o número de casos suspeitos e confirmados de leptospirose sempre que novas informações estiverem disponíveis. Enquanto isso, campanhas educativas em rádio, redes sociais e carros de som circulam pelos bairros para alertar a população sobre prevenção, sintomas e locais de atendimento.

Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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