Vacina atualizada continua a proteção mais eficaz contra formas graves de Covid-19, mostram estudos

Manter a vacinação contra a Covid-19 em dia permanece a estratégia de maior impacto para evitar hospitalizações, internações em unidades de terapia intensiva (UTIs) e óbitos associados à doença. A conclusão aparece em uma série de estudos coordenados pela Rede Europeia de Eficácia da Vacina contra Infecções Respiratórias Agudas Graves (Eurosave), que reúne ministérios da Saúde dos Balcãs, do Cáucaso do Sul e da Ásia Central desde 2021.

Contexto da pandemia

Os primeiros casos de uma pneumonia até então desconhecida foram relatados pela Comissão Municipal de Saúde de Wuhan, na China, há seis anos. Em 31 de dezembro de 2019, confirmou-se o início da pandemia de Covid-19, cuja emergência global só foi declarada encerrada em maio de 2023, quase três anos e meio depois. Estima-se que 6,9 milhões de pessoas tenham morrido em consequência do vírus no mundo inteiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que, embora o status de emergência tenha sido revogado, o SARS-CoV-2 continua circulando e provocando casos graves. Monitoramentos recentes em sete países europeus indicam que o vírus segue como causa relevante de hospitalizações e mortes na região.

Análise de 4 mil pacientes

Em um dos levantamentos da Eurosave, pesquisadores acompanharam 4 000 pacientes internados com infecções respiratórias agudas entre maio de 2023 e abril de 2024 em seis países e territórios participantes. Do total, quase 10% testaram positivo para Covid-19.

A amostra revelou um perfil de maior vulnerabilidade: dois terços dos pacientes tinham mais de 60 anos e mais de dois terços apresentavam pelo menos uma doença crônica. Segundo as orientações da OMS, esse grupo deve receber uma dose atualizada da vacina contra a Covid-19 a cada ano. Apesar da recomendação, apenas 3% das pessoas hospitalizadas haviam sido vacinadas nos 12 meses anteriores à internação.

Gravidade maior em comparação à gripe

Os pesquisadores também compararam a evolução clínica de pacientes com Covid-19 e daqueles hospitalizados por influenza, analisando dados de três anos (2022 a 2024). Os indivíduos infectados pelo coronavírus apresentaram maior probabilidade de demandar suporte de oxigênio, serem transferidos para UTIs e evoluírem para óbito do que os pacientes com gripe.

No grupo positivo para Covid-19, 13% necessitaram de cuidados intensivos e 11% não sobreviveram. Esses números, segundo os autores, reforçam a diferença de gravidade entre as duas infecções respiratórias e sublinham o papel da imunização atualizada no controle de desfechos críticos.

Eficácia da vacina revisada

Outro estudo da Eurosave avaliou o impacto da dose mais recente aplicada no Kosovo ao longo dos últimos seis meses. A análise mostrou eficácia de 72% para prevenir internações ligadas à Covid-19 e de 67% para evitar desfechos severos, como a necessidade de UTI ou a morte.

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Imagem: Internet

Resultados semelhantes surgiram em pesquisa que envolveu seis países e regiões acompanhados durante meio ano: ter recebido a vacina atualizada reduziu em 60% o risco de hospitalização. Ainda assim, os dados de vigilância revelaram baixa cobertura: poucos pacientes de alto risco internados possuíam esquema vacinal recente.

Reforço anual recomendado

A OMS mantém a orientação de que idosos, pessoas com doenças crônicas e outros grupos vulneráveis recebam pelo menos uma dose atualizada por ano. A agência destaca que as vacinas aprovadas continuam eficazes contra as variantes em circulação e constituem a ferramenta mais confiável para diminuir a pressão sobre os sistemas de saúde.

Desde o surgimento dos primeiros casos em Wuhan até a declaração do fim da emergência, em maio de 2023, a Covid-19 provocou números expressivos de mortalidade. Mesmo fora do estágio pandêmico, o vírus permanece ativo e pode causar quadros graves, sobretudo entre quem não possui proteção imunológica recente.

Os estudos apresentados pela rede Eurosave reforçam esse cenário: a presença de vacinação atualizada reduz substancialmente o risco de complicações, enquanto a ausência de doses recentes se mantém associada a taxas mais altas de internação, uso de UTI e morte. Para especialistas consultados pela OMS, ampliar a cobertura vacinal nos grupos prioritários é a medida mais eficaz para conter novos picos de hospitalização e preservar vidas.

Crédito da imagem: ONU News

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